Doutrina da Salvação - Doutrina de Cristo - Revelação

O Temor de Deus: Fundamento da Vida Espiritual


Bendito seja o Deus e Pai nosso que nos dá a oportunidade de nos apresentarmos diante de Sua presença, de nos expormos à Sua Palavra e ao poder do Seu Santo Espírito para sermos instruídos, guiados e, acima de todas as coisas, corrigidos. A vida de fé não consiste apenas no que estamos dispostos a fazer, mas acima de tudo na disposição que cada um de nós tem de ser corrigido para fazer o que Deus quer que façamos.

Este ensinamento nos expõe à Palavra doutrinária: aquela que nos guia, nos corrige e nos reposiciona na posição ou no caminho que Deus quer que tomemos. Lemos que há caminhos que ao homem parecem retos, mas seu fim é caminho de morte. Não se trata simplesmente de fazer, mas de ter conhecimento do que Deus quer que façamos.

O Protocolo Divino

Em Deuteronômio 10:12 encontramos um versículo fundamental que contém todo um protocolo do que Deus exige do homem e da mulher: «Agora, pois, ó Israel, o que é que o Senhor teu Deus pede de ti? Senão que temas ao Senhor teu Deus, que andes em todos os Seus caminhos, e que O ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma.»

Um único versículo, mas que contém todo um processo. Não basta dizer que isto pertence ao Antigo Testamento, porque a Palavra de Deus não caduca nem tem data de validade. Esta Palavra está tão vigente em nossos dias como estava quando Moisés a entregou ao povo de Israel.

Deus tem exigências do homem de fé e da mulher de fé. Ele não nos deixou ao livre arbítrio nem ao desamparo. A vida espiritual no Senhor é aquela que segue uma instrução e estabelece uma exigência da parte de Deus.

As Quatro Exigências em Ordem Progressiva

Este versículo nos apresenta um processo claro:

  1. Que temas ao Senhor teu Deus
  2. Que andes em todos os Seus caminhos
  3. Que O ames
  4. Que sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma

A ordem é crucial. Não podemos servir a Deus se antes não aprendemos a temer a Deus. O homem de Deus, a mulher de Deus, não pode amar a Deus —por mais intenção ou bom desejo que tenha— se antes não aprendeu a temer a Deus. Tampouco pode andar nos caminhos que Deus traçou se antes não aprendeu a temer a Deus.

Há um princípio, e Provérbios o define claramente: o princípio da sabedoria é o temor de Deus. Tudo começa com o temor de Deus.

O Que é o Temor de Deus?

Embora a palavra nos sugira temer, ter medo ou estar aterrorizado, não é exatamente o que a Palavra do Senhor nos ensina acerca do temor de Deus.

Uma Consciência Pessoal que se Desenvolve

O temor de Deus é uma consciência pessoal, individual e particular que o homem e a mulher desenvolvem diante do próprio Deus.

Deus não implanta temor em você. Se Deus implantasse temor, que necessidade haveria de que o Espírito de Deus, pela boca de Moisés, exigisse do povo que temesse a Deus? A própria redação do versículo o confirma: «O que é que Deus pede de ti? Que temas ao Senhor teu Deus.» É uma exigência, não uma imposição automática.

Portanto, o temor é uma consciência que o homem e a mulher desenvolvem, entendendo que estamos diante da presença do Senhor o tempo todo.

O Problema de Agradar aos Olhos

Um dos grandes problemas que a maioria de nós enfrentamos na vida de fé é que buscamos agradar às pessoas. O apóstolo Paulo, pelo Espírito de Deus, diz: «Não servindo à vista», isto é, não nos comportando apenas quando há alguém nos observando, mas como agradando a Deus.

Cada um de nós deve entender que estamos diante da presença de Deus o tempo todo. Quando chegamos a Gênesis 3, encontramos o relato —absurdo até certo ponto— de Adão e Eva se escondendo da presença do Senhor: «Tive medo e me escondi.»

Poderemos nos esconder da presença de Deus? A resposta é não. O salmista Davi, pelo Espírito de Deus, estabelece: «Para onde fugirei da Tua presença? Se subir às alturas, se for aos céus, ali estás Tu; se for à profundidade do mar, ali estás Tu.»

Não podemos nos esconder nem fugir da presença de Deus. Então, por que não temos receio de fazer aquelas coisas que sabemos que são uma ofensa a Deus? Porque não desenvolvemos o temor de Deus.

Responsabilidade Pessoal

O temor de Deus é uma responsabilidade que ninguém pode assumir por nós. É uma responsabilidade pessoal, própria, um compromisso de cada um de nós. Não podemos delegar esta responsabilidade a outra pessoa. Não adianta dizer «ore por mim para que eu possa desenvolver o temor de Deus». Não acontece dessa maneira.

Temor de Deus é Respeito e Reverência

Em Deuteronômio 10:16, Moisés dá instruções ao povo: «Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz.»

Com isto concluímos que o temor de Deus é uma consciência que cada um de nós desenvolve de entender que estamos diante de Deus o tempo todo, e por respeito a Deus, evitamos ações, pensamentos, sentimentos e atitudes que não Lhe agradam.

Temor de Deus tem a ver com respeito e reconhecimento: Deus está aqui e, portanto, por respeito e reconhecimento, evito coisas que Lhe são desagradáveis.

O Exemplo do Acampamento

Em Deuteronômio, Moisés dá uma instrução ao povo: cada um deveria ter uma estaca entre seus utensílios. Esta estaca serviria sempre que saíssem ao campo para fazer suas necessidades fisiológicas. A instrução era clara: cavariam um buraco, fariam sua necessidade fisiológica e depois a cobririam.

Moisés termina dizendo: «Para que o Senhor teu Deus, que anda no meio de ti, não veja coisa indecente e se afaste do teu acampamento.»

Veja até que ponto chega a consciência de que estamos diante da presença do Senhor.

Consciência Religiosa vs. Consciência do Temor de Deus

Muitos de nós desenvolvemos apenas uma consciência religiosa: aquela na qual nos comportamos de certa maneira quando estamos em um templo, em uma congregação ou em uma reunião onde há outras pessoas da mesma fé. Essa é uma consciência religiosa.

Uma consciência como o temor de Deus tem a ver com onde quer que nos encontremos. Isto é importante que entendamos.

Não é Autossugestão

O temor de Deus não é uma autossugestão, não se trata de nos convencermos repetindo «estou diante da presença de Deus, estou diante da presença de Deus». Trata-se de entender que Deus preenche todas as coisas em tudo e, portanto, estamos diante da presença do Senhor.

Deus se Manifesta

Possivelmente haverá mais de um que diga: «É difícil para mim entender que Deus está em todo lugar.» Vejamos o livro do profeta Amós 3:4-6:

«Rugirá o leão no bosque, sem que tenha presa? Levantará o leãozinho a sua voz desde a sua cova, se nada tiver apanhado? Cairá a ave no laço em terra, se não houver armadilha? Levantar-se-á da terra o laço, sem que tenha apanhado alguma coisa?»

Estas perguntas têm o propósito de nos fazer entender que Deus se manifesta, Deus dá testemunho de Sua presença entre nós. O problema é que muitos de nós desenvolvemos conceitos filosóficos do que é a presença de Deus.

O Caso de Gideão

Em grande medida nos amparamos na exigência de Gideão no livro de Juízes. Gideão se apresenta diante do anjo e pede sinais com o velo de lã. O que Gideão estava fazendo com esta prática? Não estava tentando se autosugestionar nem estabelecer um sinal. Estava se negando a crer na presença de Deus.

Por isso a forma como Deus tratou com Gideão foi tão particular: podendo ter alcançado vitória com 30.000 homens, Ele o expôs a uma forma tão ridícula com 300 homens que não lutaram, que apenas gritaram «Pelo Senhor e por Gideão!» e quebraram alguns vasos de barro.

Gideão resistia a crer na presença de Deus. Se revisarmos o momento quando o anjo lhe aparece, Gideão está escondido e diz: «Ó meu Senhor, se o Senhor está conosco, por que estamos nesta situação?» Não queria entender que não era produto de Deus tê-los entregue àquela situação, mas que era produto da maldade, do pecado e do desvio do povo que tinha deixado seu Senhor.

Deus Está Presente em Tudo

Voltamos ao livro de Amós: «Rugirá o leão no bosque sem que tenha presa?» A resposta é não, porque o leão não ruge por capricho. Ruge porque está em busca de uma presa.

As perguntas que o profeta faz têm o propósito de nos mostrar que se algo está acontecendo em nossas vidas, é porque há uma razão espiritual da parte de Deus. Ou seja, Deus está manifestando Sua presença. O que acontece é que não o vimos porque não queremos ver a Deus.

Acontece conosco da mesma forma que aconteceu com Gideão: nos recusamos, negamos crer que Deus está conosco. Esta é a razão pela qual muitos homens e mulheres não podem crescer nem se desenvolver na vida espiritual.

Por quê? Porque não queremos crer que Deus está conosco. Perguntamos: «Por que se Deus está comigo aconteceu o que aconteceu comigo: o acidente, a morte, a perda, a violação, o assassinato?» As pessoas não querem entender que Deus está conosco o tempo todo.

Também as Coisas Adversas são Visitação de Deus

Isaías 29:6 diz: «Do Senhor dos Exércitos serás visitada com trovões, e com terremotos, e grande ruído, com tufão e tempestade, e com labareda de fogo consumidor.»

Também as coisas adversas são visitação de Deus. Também aquilo de perda, de fracasso, de acidente, aquilo que é adverso, é visitação da parte de Deus.

O que está acontecendo então? O grande problema é que não queremos reconhecer que Deus está presente. Muitos de nós o remetemos aos sentimentos: «É que não sinto a Deus, é que não sinto perdão, é que não sinto arrependimento.»

Desde quando temos que sentir para admitir que Deus está presente? Acaso a vida de fé é sentimento? Acaso não diz a Palavra de Deus que «o que vivo na carne vivo pela fé do Filho de Deus»?

Desde quando temos que sentir perdão para perdoar alguém. Desde quando tenho que sentir que devo pedir perdão a alguém. É uma decisão. Desde quando tenho que sentir que devo me arrepender. É uma decisão.

O Temor de Deus: Uma Decisão

O temor de Deus é a consciência que o homem e a mulher desenvolvem de entender que estão diante da presença do Senhor o tempo todo e, por respeito a Ele, evito fazer coisas que sei pela Sua Palavra e pelo testemunho do Seu Santo Espírito que são abomináveis a Ele.

Temos que entender que Deus está exigindo que entremos em um processo de tomada de decisão. É necessário tomar decisão.

O Exemplo de Jacó

Em Gênesis 28:15-17 encontramos palavras que Deus declarou a Jacó quando fugia de seu irmão Esaú e se encontrou em Betel:

«Eis que Eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja feito o que te tenho falado. E despertou Jacó do seu sono, e disse: Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.»

Esta é a atitude de um homem que tomou consciência de que precisa desenvolver o temor de Deus. Esta é a atitude de uma mulher que desenvolveu consciência de que precisa desenvolver o temor de Deus.

Temor de Deus é uma responsabilidade de cada um de nós. Não é um sentimento nem tem a ver com filosofia. É uma decisão. Jacó decidiu: «Esta é a casa de Deus, porta dos céus, estou diante da presença do Senhor.» Ele o diz no versículo 16: «Na verdade o Senhor está neste lugar e eu não o sabia.»

Dali, daquele momento, Jacó se moveu levando consigo esse lugar, ele o transportou por todos os lugares onde se movia.

Deus se revelou, Deus se manifestou, mas nós não quisemos desenvolver o temor de Deus porque temos conceitos bastante filosóficos, filosofia religiosa onde nos ensinam que temos que senti-lo, que temos que experimentá-lo. Mas não é assim como as Sagradas Escrituras o apresentam. É uma decisão.

Por isso Moisés disse ao povo: «Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não sejais mais rebeldes à presença do Senhor.»

Temor de Deus, o princípio da sabedoria, é a decisão do homem de entender que está diante da presença do Senhor o tempo todo.

Entender que Deus Está Operando

No evangelho de Marcos 8:17-21, Jesus diz aos Seus discípulos:

«Por que discutis sobre o não terdes pão? Não considerais, nem compreendeis? Ainda tendes endurecido o vosso coração? Tendo olhos, não vedes? E tendo ouvidos, não ouvis? E não vos lembrais, quando parti os 5 pães entre os 5.000, quantos cestos cheios de pedaços levantastes?»

Eles disseram: «Doze.»

«E quando parti os 7 entre os 4.000, quantos cestos cheios de pedaços levantastes?»

Eles disseram: «Sete.»

«E dizia-lhes: Como não entendeis?»

O que tenho que entender? Jesus faz esta pergunta duas vezes. Tenho que entender que temor de Deus é o entendimento de que Deus está operando em minha vida e entre os meus o tempo todo, mesmo quando eu não o vejo.

O Caso dos Pães

O caso que acabamos de ler não é o primeiro caso. Casos semelhantes já tinham acontecido, e Jesus lhes recorda dois casos. Uma situação se repetiu: pela pressa da viagem, esqueceram de levar pão e alimento. No caminho, culpavam um ao outro: «Era sua responsabilidade, por que não trouxe pão? Por que não trouxe alimento? Agora nos encontramos em um lugar deserto e não temos comida.»

Jesus percebe o evento que tentam manter oculto e lhes diz: «Como não entendeis?»

O que tenho que entender? Tenho que entender que Deus está operando, mesmo quando eu não o vejo:

  • Deus está operando, mesmo quando há perda
  • Deus está operando, mesmo quando há escassez
  • Deus está operando, mesmo quando há necessidade
  • Deus está operando, mesmo quando estou Lhe dizendo: «Senhor, não tenho, não tenho»

É importante que entendamos que o temor de Deus se desenvolve no conhecimento de quem é o Deus a quem servimos.

«Como não entendeis?» Jesus lhes disse. «Não se lembram da primeira vez quantos cestos de sobras recolheram?» E eles Lhe disseram: «Doze.» «E não se lembram da segunda vez quantos cestos recolheram?» E eles Lhe disseram: «Sete.»

Acaso Deus é Deus de apenas duas tentativas? Deus é Deus de apenas duas experiências, e daí em diante Seu poder acabou? Acaso Ele não é o Deus do sobrenatural? Acaso Ele não é o Deus da criação? Acaso não foi Ele quem disse «Haja luz» e houve luz?

Ele não fez nada, simplesmente falou. Por isso em João 1: «No princípio era o Verbo», era a Palavra. A Palavra somente, não havia uma ação Dele fabricando algo ou compondo algo com Suas mãos. Os únicos que formou com Suas mãos foram o homem e a mulher, mas todo o resto, todo este vasto universo que nos impacta e impressiona cada dia, Ele o fez com Sua Palavra.

Não com Suas mãos, com Sua Palavra somente. «Dize a Palavra e meu servo será curado», com Sua Palavra.

Deus está operando mesmo quando eu não o vejo. Deus está operando mesmo quando as circunstâncias são adversas. Deus está operando mesmo quando não entendo nada do que está acontecendo. Isto é o temor de Deus.

O Homem de Fé Não Mede Resultados

O homem de fé não é aquele que mede resultados. A mulher de fé não é aquela que mede resultados. Por isso testemunho não é aquilo que pode ser descrito tangivelmente. Testemunho não é dizer «Ele me deu um carro, obtive uma casa, obtive esta propriedade, obtive este benefício». Não é o quantitativo.

Testemunho é o que Deus está fazendo, mesmo quando não vejo absolutamente nada.

O Caso de Elias e a Viúva

Elias é enviado da parte de Deus. Quando o ribeiro de Querite secou, Deus lhe disse: «Vai à terra de Tiro e Sidom, porque ordenei ali a uma viúva que te sustente.»

Deus está operando. Quando Elias chega, encontra efetivamente uma mulher viúva que tinha um filho e não tinha absolutamente nada para sustentá-lo. «Se eu te der, fico sem nada porque é a única coisa que temos: ou você ou nós.»

Então vem a instrução sobre o azeite: um azeite que está sendo derramado em vasilhas mas que sempre mantém o mesmo nível. Não é que de repente o azeite se multiplicou. Continua derramando, mas na vasilha original estava a mesma quantidade. Continua enchendo outras vasilhas, mas naquela permanece o mesmo nível.

De onde está saindo o azeite? Permanece o mesmo nível. E parou de fluir quando as vasilhas acabaram. Se tivesse tido mais vasilhas, com certeza o mesmo azeite teria enchido quantas mais vasilhas tivesse sido necessário.

O que estamos dizendo? Deus está operando mesmo que eu não veja, mesmo que nada seja evidente.

O Milagre da Multiplicação

Nos dois eventos onde Jesus multiplicou os pães e os peixes, no primeiro levantaram 12 cestos de sobras (cestos muito maiores), e no segundo evento 7 cestos. Sabe por que Jesus operou desta maneira? Sabe por quê? Porque foi somente quando levantaram as sobras que perceberam o milagre que Jesus tinha feito.

Assim como você ouve: foi somente quando levantaram as sobras que perceberam o milagre que o Senhor tinha feito.

Por quê? Porque quando os apóstolos começaram a distribuir, viam a mesma quantidade de peixes, a mesma quantidade de pães. Cada um ia pegando e não acabava. Quando iam para o próximo, a mesma quantidade. Enquanto estava sendo distribuído, ninguém percebeu o milagre porque cada um estava colocando a mão e via peixes. No cesto do qual estavam distribuindo, os peixes não desapareciam.

Nunca foi: «Tragam outro cesto porque este já está vazio.» Cada um ia colocando a mão e pegando peixes e pão. Iam até outro, pegavam, e ninguém percebeu o que estava acontecendo, o milagre que estava acontecendo entre eles.

O milagre foi entendido, o milagre foi evidente somente quando distribuíram e recolheram todos os pedaços. Somente então perceberam o milagre que Jesus operou entre eles.

Por quê? Todos sabiam que tinham apenas 5 pães no primeiro caso. Todos sabiam que tinham apenas 7 pães no segundo caso. Eles nunca viram quantidades e quantidades de pães que começaram a partir.

O milagre foi entendido somente quando recolheram todos os pedaços.

Deus está operando. Não parou de operar. Os maiores milagres que Deus realiza, a maior obra sobrenatural que Deus faz, é quando há necessidade, quando há escassez, quando há deficiência, quando há situações adversas. É o maior milagre.

Por quê? Porque o temor de Deus não questiona, não investiga, não se ressente. Temor de Deus: Deus está operando.

Aprender a Não Medir por Resultados

Há algo que nós, homens e mulheres de fé, temos que aprender: é não medir as coisas por resultados. Cada um de nós tem que aprender isto.

Não porque há deficiência estamos em desgraça. Deus está operando. Não porque estou multiplicando e fazendo mais é que Deus está me abençoando. Não porque as coisas são vistas em multiplicação posso dizer «Deus está me abençoando».

Há algo dentro do temor de Deus que temos que aprender: a não medir, a não valorizar, a não pesar a Deus pelos resultados.

O Caso de Lázaro

Se olharmos no evangelho de João o caso de Lázaro, as duas irmãs se aproximaram de Jesus da mesma forma e disseram exatamente a mesma coisa: «Se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.»

Isso não é uma declaração de fé. Isso é uma reclamação. Em outras palavras, o que tanto Maria como Marta estavam dizendo é: «Meu irmão morreu porque Tu não estavas aqui.» E isso é grave.

Muitos de nós nos comportamos da mesma maneira: «Estou nesta situação e é Tua culpa.»

Temor de Deus é entender que Deus está operando, mesmo quando eu não o vejo, mesmo quando aos meus sentidos isto parece ser o fim, mesmo quando em meu julgamento, mesmo quando em minha opinião, cheguei ao final de tudo.

Davi Encurralado

Davi estava sendo perseguido por Saul e, sem perceber, entrou em um espaço sem saída. Estava encurralado. Sabe o que aconteceu? Algo que Davi nunca tinha feito: começou a escalar aquele penhasco, aquela parede que qualquer um não poderia escalar. Começou a andar, a subir, a subir.

Ali nasce o salmo: «Faz os meus pés como os das cervas e me faz andar nas minhas alturas.»

Deus está operando. Isto é o temor de Deus.

Quando parece que chegamos ao final de tudo, quando parece que não há mais saída, quando parece que nossos inimigos nos encurralaram, o Senhor nos faz ver algo que se não fosse por aquela situação, nunca teríamos visto. Deus nos faz experimentar algo que se não fosse por isso, nunca teríamos experimentado.

Deus está operando. Isto é o temor de Deus.

Tenho que me recusar a medir as coisas por resultados. Tenho que me recusar a medir a obra, a medir o ministério, a medir o que acontece ao meu redor por resultados. Tenho que me recusar.

Conclusão: Responsabilidade Pessoal

Voltamos a Deuteronômio 10:12. É uma palavra simples, não é complicada nem difícil de entender. Mesmo quem não tem uma experiência bíblica nem teológica pode entendê-la:

«Agora, pois, ó Israel, o que é que Deus pede de ti, senão que temas ao Senhor teu Deus? Que andes em todos os Seus caminhos, que O ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma.»

O que é o temor de Deus?

O temor de Deus é a consciência que nós, homens e mulheres de Deus, desenvolvemos. É sua responsabilidade, é minha responsabilidade. Não é a responsabilidade do seu cônjuge, não é a responsabilidade da sua esposa. É sua responsabilidade, é minha responsabilidade.

Não posso pedir, não devo pedir oração para que eu desenvolva o temor de Deus, para que o Senhor me dê o temor de Deus. Não. Isso é filosofia e filosofia religiosa. «Ore por mim para que o Senhor me dê a força para desenvolver…» Não, não funciona assim.

Eu tenho que desenvolver o temor de Deus.

Quando o desenvolvo? Quando desenvolvo consciência de que estou diante da presença de Deus o tempo todo.

«Para onde me esconderei?»

Se cada um de nós desenvolvermos essa consciência de que estamos diante da presença de Deus, muitas das coisas perversas que fazemos em oculto, deixaríamos de fazer. E não é que «o diabo, o inimigo, Satanás me enganou e me forçou». Sabe por quê? Porque não há tal caso. Embora sejamos ministros de libertação, de guerra espiritual e de libertação, não há tal caso. É que você não quis. É que você se expôs. É que você, por não ter o temor de Deus, não colocou um basta.

José, diante da esposa de Potifar, saiu correndo porque tinha o temor de Deus.

Quantos de nós nos expomos a situações e não colocamos nenhum freio, limite ou basta, porque não temos o temor de Deus?

Perguntas Cruciais

Por que não crescemos na vida espiritual? Por que não crescemos na fé? Por que não pudemos desenvolver um ministério, sabendo que Deus nos falou há tantos anos que tínhamos um ministério?

Porque não desenvolvemos o temor de Deus. Porque não desenvolvemos consciência de que estamos diante da presença do Senhor o tempo todo.

Porque quisemos fazer com nossas próprias forças, com nossos próprios recursos, com nossas próprias habilidades, com nosso próprio conhecimento. E depois, quando todas as coisas falharam, quando todas as coisas fracassaram: «Senhor, ajuda-me.» Ajuda-me para que eu possa continuar, sem ter antes perguntado: «É isto, Senhor, o que Tu queres? É isto, Senhor, o que Tu estás exigindo?»

O temor de Deus é uma exigência de Deus.

Uma Advertência Séria

Hoje sua vida pode crescer espiritualmente, mas também tenho que lhe dizer o seguinte: hoje você pode cair sem oportunidade de se levantar.

«Mas pastor, como é possível que esteja dizendo isso?»

Porque é minha responsabilidade lhe dizer. O apóstolo Paulo diz em Atos 21: «Eu sei que depois da minha partida, dentre vós mesmos se levantarão lobos cruéis que não pouparão o rebanho.»

Por que estou lhe dizendo isto? Não porque esteja zombando de você, não porque não entenda que você é legítimo ou legítima da parte do Senhor. Não. Sabe por quê? Porque não queremos nos expor e caminhar segundo Deus. Esta história se repetiu. Não é nova.

Por isso tenho que lhe dizer o seguinte: Hoje pode ser o ponto de virada da sua vida na vida espiritual, mas hoje pode ser sua queda sem oportunidade de se levantar.

Não é Deus quem determina isto. É você. Sou eu.

A Decisão é Sua

Temor de Deus é consciência de que estou diante da presença de Deus. Não me autosugestiono. Estou diante da presença de Deus e, como tal, eu sei colocar limites, colocar freios. Não me exponho porque estou diante da presença de Deus.

Ninguém me vê, ninguém está comigo, mas eu sei que estou diante da presença de Deus.

E Deus está operando em minha vida, em meu ambiente, mesmo quando eu não o vejo, mesmo quando parece aos meus olhos que é completamente o contrário, que estou chegando ao ponto final da minha existência, da minha vida, e até do meu ministério.

TEMOR DE DEUS.

«Agora, pois, ó Israel, o que é que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que temas ao Senhor teu Deus, que andes em todos os Seus caminhos, que O ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma?»

Nos expusemos diante da Palavra. O que faremos com ela?


A paz do Senhor seja com você.

pastor Pedro Montoya


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Soy pastor y maestro de la Palabra. Vivimos en tiempos en que la gente se muestra reacia hacia el Evangelio; para muchos, los temas de fe y del Espíritu resultan intrascendentes y los descartan sin más. El mensaje del Evangelio es una invitación a volver a Dios, a confiar en su Palabra y a caminar bajo la guía de su Santo Espíritu. El Evangelio no es una religión; no entramos en el plano de la Voluntad de Dios simplemente practicando ritos creados bajo el consentimiento humano. Es fundamental entender que las reglas las establece Él, no nosotros. Somos conscientes de que Cristo Jesús viene pronto, pero no todos estamos preparados para recibirlo. Debemos recordar que no se trata solamente de estar en el lugar correcto, sino de estar apropiadamente vestidos para su Venida. Él viene por una iglesia sin mancha ni arruga (Efesios 5:27). Las manchas y las arrugas, si no se corrigen a tiempo, podrían impedirnos ser parte de este evento glorioso. Por ello, reconocemos que el tiempo restante antes de su Venida es un período de preparación, que incluye tanto corrección como capacitación.

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