Introdução
Que a paz do Senhor esteja com você e com sua casa. Dou graças ao Deus eterno, ao Todo-Poderoso, pelo tempo que Ele nos concede em Sua graça e misericórdia para nos expormos diante de Sua palavra e do poder de Seu Espírito Santo.
Temos estudado como ganhar autoridade contra as forças das trevas e forças demoníacas. Em Efésios 6:12, encontramos uma palavra orientadora para aqueles que compreendemos sobre guerra espiritual e libertação:
«Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.»
Paulo não apenas revela as batalhas que enfrentamos diariamente, mas também nos mostra que o reino das trevas está muito bem organizado. Ele estabelece plataformas de governo espiritual. Se os homens e mulheres de Deus não compreendermos essa organização, ao enfrentarmos essas forças experimentaremos uma derrota marcante.
Não se trata apenas de dizer «eu te repreendo» ou «me cubro com o sangue de Cristo Jesus». É necessário entender que a guerra se faz com sabedoria, como estabelece o livro de Provérbios. Portanto, é importante compreender a necessidade de ganhar autoridade. Embora a autoridade venha de Deus, é responsabilidade dos homens e mulheres crescer nela.
A Igreja Edificada Sobre a Revelação
Em Mateus 16, quando Jesus pergunta a Seus discípulos: «Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?» conhecemos suas respostas: alguns diziam que era Elias, outros que era João, outros que era algum dos profetas ressuscitado dos mortos. Mas quando Jesus lhes pergunta diretamente: «E vós, quem dizeis que eu sou?» Pedro responde: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.»
Jesus então declara: «Sobre esta pedra edificarei a minha igreja.» Qual é a pedra? A declaração de Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.»
Ninguém que não reconheça a Cristo Jesus, ninguém que não ande conforme a vontade de Deus, ninguém que não esteja sujeito ao senhorio de Cristo pode construir autoridade. A autoridade é somente para aqueles que nasceram de novo e andam conforme a graça, a misericórdia e a revelação que o Senhor entregou.
Jesus continua: «As portas do inferno não prevalecerão contra ela» — contra o caminhar da igreja, isto é, todos aqueles que estão caminhando conforme a vontade do Senhor. Portanto, cada um de nós deve entender que a autoridade tem que ser construída. Não recebemos pacotes de autoridade; é necessário trabalhar para edificá-la.
Os Três Atributos para Ganhar Autoridade
Este é o terceiro ensinamento sobre os atributos necessários para ganhar autoridade espiritual:
Primeiro atributo: Santidade
A santidade deve ser entendida como a ausência de contaminação. Como diz o apóstolo: «Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.»
Segundo atributo: Revelação
Caminhar em revelação é extremamente importante e necessário para todo homem e mulher de Deus. Jesus estabeleceu: «Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.» Sem revelação, é como dar socos no ar sem resultados nem frutos. Deus nos chama para estabelecer efeito sobre nossa vida.
Em Atos 16 é narrado quando Paulo foi levado à prisão em Filipos por ter expulsado um espírito de adivinhação de uma moça. Em duas ocasiões durante esse relato diz-se: «Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui.» Quando contamos quem eram, descobrimos que eram apenas três pessoas: Paulo, Silas e Timóteo.
A que mundo isso se refere? Ao mundo espiritual. Isso nos ensina a importância de caminhar em revelação. Se não caminharmos na revelação que Deus entregou através de Seu Espírito Santo, não poderemos derrubar as forças do inimigo nem as estratégias estabelecidas contra o povo de Deus.
Terceiro atributo: Obediência
No ensinamento de hoje fecharemos este capítulo sobre como ganhar autoridade contra as forças demoníacas estudando o poder da obediência.
Fundamento Bíblico: A Autoridade da Obediência
Em 2 Coríntios 10:3-6 encontramos a base para entender a obediência:
«Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo; e estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida a vossa obediência.»
Esses versículos falam claramente do poder que a obediência tem para levar cativo todo conhecimento levantado contra Deus. Mas observe o versículo 6: existe uma condição. Estamos prontos para vingar toda desobediência quando for cumprida a vossa obediência.
Muitas vezes não desenvolvemos autoridade suficiente sobre as forças das trevas. Poderíamos já ter caminhado em santidade e em revelação, mas se ainda não estamos caminhando em obediência, não podemos castigar a desobediência. Se não temos essa natureza de obediência, não podemos exercer autoridade espiritual.
O Que É Realmente a Obediência?
A obediência não é seguir instruções
Muitos confundem obediência com simplesmente seguir instruções: «Me disseram para fazer isso, eu fiz. O que mais tenho que fazer? Eu faço. Não tenho problema em seguir instruções.»
Mas isso não é obediência verdadeira. A obediência não tem a ver com ações consecutivas a instruções entregues. Uma pessoa pode seguir instruções e não necessariamente ser obediente.
O exemplo do filho mais velho
Em Lucas 15:28-30, encontramos o irmão mais velho do filho pródigo. Note o que diz:
«Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos. Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.»
O jovem diz: «Nunca transgredi o teu mandamento», ou seja, «Eu tenho sido obediente.» Mas observe os níveis que se desenvolvem em uma pessoa que não é verdadeiramente obediente:
- Ele se indignou (versículo 28)
- Ele se rebelou — o pai lhe diz «entra», mas ele recusou entrar, mostrando rebelião e desafio
- Há reprovação — «Há tantos anos te sirvo, nunca transgredi o teu mandamento, mas não me trataste como a ele»
Era ele obediente? Não. Embora estivesse com o pai o tempo todo e fizesse o que lhe era dito, não era obediente.
A obediência é uma substância
A obediência, como definida nas Sagradas Escrituras, não tem a ver com ações em reação a instruções. A obediência é uma substância, isto é, a própria natureza da pessoa é obediente.
Uma pessoa pode estar seguindo instruções mas não ser obediente. Por quê? Porque a obediência não consiste em ações em resposta a instruções. A obediência é uma substância: a própria natureza da pessoa.
Chegará um momento em que o que realmente existe virá à luz. Este é um exemplo claro no sentido negativo.
O exemplo de Jó
Em contraste, temos o caso de Jó, que é um exemplo claro do que é ser uma pessoa obediente. Do que consiste? «O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor.»
Por quê? Porque a obediência é a própria substância da pessoa. Há uma essência na pessoa que é obediência. Isso se ganha ou desenvolve precisamente nos processos nos quais Deus faz entrar os homens e as mulheres.
Os Frutos da Obediência
A obediência tem frutos. Há evidências de que uma pessoa está caminhando em obediência. De acordo com Lucas 15, quando não há:
- Reprovação
- Ira pelas coisas que acontecem
- Ira porque outros recebem e eu não recebo
- Reação ou reatividade em relação a algo que estamos vendo dentro da obra de Deus
Então poderíamos dizer que entramos no processo de transformação da obediência. Enquanto isso, quando há reatividade, resistência ou relutância, ainda não entramos, e portanto não teremos desenvolvido autoridade.
O perigo da desobediência na guerra espiritual
Tenho visto casos em que pessoas tentaram repreender e ganharam aquilo que estavam repreendendo. Tenho visto casos em que as pessoas entram em processos de guerra espiritual e libertação, repreendendo enfermidades, situações e ataques, e acabam recebendo aquilo que estão repreendendo.
Por quê? Aqui temos a resposta: estão caminhando em desobediência. Não houve transformação. A obediência não consiste em seguir instruções (embora isso será um fruto). Tem que haver uma natureza, uma transformação, uma substância.
O apóstolo diz em outro texto que nós somos o bom perfume de vida para os que estão mortos. Isso significa que há uma substância espiritual que foi transformada na pessoa.
Como a Obediência É Construída
Tendo esclarecido o que é obediência, vejamos como ela se ganha ou constrói.
Primeira forma: Permanecendo na Palavra de Deus
Em Romanos 5:19 lemos:
«Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos.»
Este texto se refere a Gênesis 3, a queda do homem e da mulher. Vejamos o relato:
No versículo 1, a serpente se aproxima e diz: «É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?»
A mulher responde: «Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.»
Do que consistiu a desobediência?
Eles não permaneceram na palavra de Deus. Ela mesma está dizendo: «Disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.»
Alguns acreditam que a mulher inventou essa última parte («nem nele tocareis»), mas a mulher foi muito precisa. Foi isso que Deus disse. Ela foi muito específica porque se lembrava não apenas de não comê-lo, mas que Deus havia sido tão específico que lhes disse: «Nem mesmo toquem nele.»
Por quê? Porque não flirtem com o pecado, não brinquem com o pecado, não se aproximem do pecado. Não é apenas não comê-lo, é não se aproximar, não se expor. A mulher disse o que havia sido instrução direta de Deus. Mas o que aconteceu? Ela se afastou dessa palavra.
O princípio fundamental
A obediência é construída quando os homens ou mulheres de Deus permanecem na palavra.
A palavra não é apenas para três dias, nem para uma semana, nem para um ano. A palavra é para toda a existência que Deus nos concede sobre a face da terra.
Muitos de nós cometemos um gravíssimo erro espiritual: estamos pulando de palavra em palavra, indo atrás desta palavra, indo atrás de outra palavra. Muitos estão buscando palavras: «Me diga uma palavra. Uma palavra de promessa, uma palavra de bênção, me dê outra palavra, me dê outra palavra.»
O homem de Deus que constrói obediência, a mulher de Deus que constrói obediência, permanece na palavra. Eles não ficam pulando de palavra em palavra. Se não fomos fiéis a uma palavra, como vamos ficar pulando de palavra em palavra?
O conhecimento não salva
Deus não satisfaz a curiosidade do homem nem da mulher. Quantas vezes nos aproximamos dizendo: «Eu quero aprender mais sobre o Senhor, eu quero conhecer mais sobre Ele. Me matriculei neste curso, me inscrevi nesta faculdade»?
Se você não tem a disposição, a decisão e a consciência do que vai fazer com essa palavra, não continue se matriculando em cursos, seminários e faculdades. A vida de fé não consiste em conhecimento.
Poderíamos ter um doutorado em teologia, um PhD, com diploma e tudo, e ainda assim ir para o inferno. Quantos no inferno têm diplomas e títulos de doutor? A vida de fé não consiste em conhecimento; a vida de fé consiste em quão agradado Deus está com nossa vida.
O que Deus disse a Satanás em Jó 1? «Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto.» É isso que Deus busca: quão agradado Ele está com minha vida, não pelo que eu sei, não pelos diplomas que obtive, não pelos graus teológicos, mas pelo que estou fazendo com Sua palavra.
Perseverança na palavra
A vida de fé consiste em caminhar na palavra, permanecer na palavra. Portanto, a primeira forma de ganhar obediência é: permaneçamos na palavra. Não fiquemos pulando de palavra em palavra nem de versão em versão perguntando: «O que isso realmente significa? O que o Senhor nos disse com essa palavra?»
O Senhor havia dito a Adão e Eva, e ela estava bem consciente: «Não comereis dele, nem nele tocareis.» A desobediência foi construída quando ela se afastou e eventualmente Adão se afastou da palavra.
Como construímos obediência? Isto é o que Deus me disse. Eu permaneci todo este tempo nessa palavra. Permaneça na palavra todo o tempo de sua existência, mesmo que tenha sido apenas um versículo, mesmo que não tenha conhecido todo o resto. Se você está permanecendo nessa palavra, está construindo obediência.
Em Mateus 24, Jesus ensina: «Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.» Aquele que permanece na palavra que eu lhe dei, este será salvo.
O exemplo da viúva de Sarepta
Em 1 Reis, quando o profeta Elias é enviado por Deus, Ele lhe diz: «Vai para a região de Tiro porque ordenei a uma viúva que te sustente.»
Quando o profeta chega, descobre que a mulher que Deus ordenou para sustentá-lo era uma viúva com um filho, o que significava que não tinha provisão. Mas o texto diz: «Ordenei a uma mulher que te sustente.»
Quando Elias chega e pede água e um bolo, a mulher responde: «Não tenho nada. A única coisa que tenho é a última porção que é suficiente para meu filho e para mim, e depois esperar a morte porque não temos nada.» Havia três anos e meio de escassez.
O que isso significa? Que a obediência é construída quando permanecemos na palavra, não em nossos prazeres, não em nossos gostos. Se o Senhor disse, tenho que caminhar nessa palavra.
As consequências de abandonar a palavra
Quando Deus nos entregou uma palavra e a abandonamos, temos um exemplo claro de destruição total. Até hoje estamos sofrendo as consequências de um homem chamado Adão e uma mulher chamada Eva que se afastaram da palavra.
«Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos.»
O verdadeiro ministério
Você tem um ministério da parte de Deus. O ministério não consiste em estar atrás de um púlpito. O ministério consiste em permanecer na palavra que Deus lhe entregou. Quando você entender isso e permanecer firme nessa palavra, vai libertar regiões inteiras mesmo que não esteja atrás de um púlpito.
Isso é algo que temos que entender, porque quase sempre os parâmetros que temos do que é ministério são bastante deformados e distorcidos pela filosofia religiosa que proliferou abundantemente em nossos dias.
Primeira forma de construir obediência: Permaneça na palavra.
Segunda forma: Através do sofrimento e da perseguição
Em Hebreus 5:8 lemos:
«Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.»
A segunda forma de construir e ganhar obediência é o sofrimento, a dor, a perseguição, o opróbrio, a difamação. Tudo o que o inimigo envia para desacreditá-lo e derrubá-lo é a forma que Deus usa para construir obediência naqueles que são perseguidos, oprimidos, difamados, retidos e odiados.
É a forma que Deus estabelece para construir obediência. Ainda que era Filho, falando de Cristo Jesus, por aquilo que padeceu aprendeu a obediência.
A obediência de Cristo até a morte
Em Filipenses 2:8 encontramos o nível de obediência alcançado:
«E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.»
Não foi uma morte instantânea onde Ele não sofreu nem padeceu. O apóstolo faz esta clarificação porque a morte por crucificação era a mais dolorosa.
Quando você lê o relato da crucificação, sabe que havia dois ladrões, um à direita e outro à esquerda, e quebraram suas pernas. Sabe por quê? Porque era o único ponto de apoio. A crucificação tinha principalmente o propósito de asfixia, de morrer por sufocamento depois de uma agonia dolorosa.
A pessoa crucificada se levantava sobre os pés para evitar a asfixia. Por isso quebravam suas pernas: para que não tivessem ponto de apoio e a morte agônica fosse final e certa.
Cristo Jesus entregou Seu espírito às três da tarde. Por quê? Porque quando você lê João 10, diz: «Ninguém ma tira de mim. Falando da vida, ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou. Este mandamento recebi de meu Pai.»
Em Filipenses 2:8: «E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.»
O espinho na carne de Paulo
Em 2 Coríntios 12:7 encontramos outro exemplo:
«E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar.»
O apóstolo diz que implorou ao Senhor três vezes para que o tirasse. Ele está falando de um mensageiro de Satanás. O que é um mensageiro de Satanás? Um demônio. O apóstolo está dizendo que tinha um demônio operando em seu corpo.
Em 1 Tessalonicenses 2, Paulo diz claramente: «Quisemos uma e outra vez ir ter convosco, mas Satanás no-lo impediu.» A versão revisada usa uma palavra mais leve: «impediu-nos,» mas o original fala de algo que operou de dentro do apóstolo.
Ele está falando de um mensageiro de Satanás, uma enfermidade. Mas nesse texto entende-se que isso veio da parte de Deus. Deus o estabeleceu. Para quê? Para que passasse pelos processos. Paulo tinha que aprender a ser obediente.
A lição para nós
As pessoas que são muito autônomas, independentes, que têm a tendência de ser independentes, devem aprender submissão, devem aprender obediência.
Como a obediência é alcançada? Como ela se desenvolve na pessoa? Passando pelos processos. Não há outra forma.
Isso vem da parte de Deus. Você não pode repreendê-lo dizendo: «Eu repreendo a perseguição, eu repreendo o diabo que está me oprimindo.» Não, porque vem da parte de Deus. Deus o determinou assim.
Para quê? Porque lemos em Hebreus 5:8: «Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.»
Não reclame dos processos
Não reclame dos processos. Não abortemos a obra de Deus querendo escapar, querendo parar os processos aos quais Deus nos submeteu. Por quê? Porque no final o que surgirá é um homem obediente com uma natureza obediente. O que surgirá é uma mulher obediente. Ele a transformou de desobediente, rebelde, reacionária em uma mulher obediente.
Por isso o apóstolo Paulo escreve: «Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente.»
Devemos entender quão importante é passar pelos processos que vieram em nossa vida, aqueles que são parte da obra de Deus. Claro, muitas vezes por insensatez provocamos situações que não necessariamente teriam que ter estado ali. Mas quando estamos caminhando conforme a vontade de Deus, Deus nos introduz nesses processos.
Segunda forma de construir obediência: Não reclame dos processos de sofrimento e perseguição que Deus permite.
Terceira forma: Não se conformando, mas sempre avançando
Em 1 Pedro 1:14 lemos:
«Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância.»
A terceira forma é: não podemos parar. Não podemos chegar a um ponto de dizer: «Já alcancei, já consegui, já me formei, já fiz, já sou perfeito.» Não podemos chegar a esse ponto. Não vos conformeis.
Não desenvolvamos a atitude de: «Já tenho tudo, já li a Bíblia tantas vezes, conheço Sua palavra, tenho muito conhecimento de Sua palavra.» Não podemos chegar a isso porque estaríamos renunciando ao que Deus estabeleceu.
O exemplo de Nabucodonosor
Precisamente por isso Nabucodonosor, quando você lê o livro de Daniel, viveu sete anos de sua existência como uma besta, como um animal. Deus tirou seu espírito e o fez habitar no campo com as bestas. Era mais uma besta.
Deus falou a Nabucodonosor, mostrou-lhe um sonho de uma árvore frondosa e alta. Quando Daniel interpretou o sonho lhe disse: «És tu, que te elevaste tanto pela mão de Deus, porque foi da parte de Deus, mas não deste a Deus a glória.»
Chegou uma tarde, diz o texto, quando ele estava contemplando todo o seu reino e seu palácio que havia construído, e disse: «Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a minha glória?» E ali foi traspassado até que entendesse que o Deus do céu tem autoridade sobre os homens.
A advertência
Não podemos caminhar na arrogância de acreditar que por nossa própria força alcançamos o que alcançamos. Não podemos caminhar na vaidade do conhecimento a ponto de deslocar Deus de nossas vidas.
O exemplo de Paulo
O apóstolo Paulo diz em Filipenses: «Não julgo que o haja alcançado.» Este é o homem que em Romanos diz: «Desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Cristo.»
Quando você localiza esses dois pontos percebe que é uma vasta extensão de território que inclui a terra prometida, Turquia, Grécia e parte da Macedônia. Tudo isso ele diz ter enchido com o evangelho, sem um veículo, sem seu próprio transporte, expondo sua vida. Mas ele não se conformou.
Quando está escrevendo sua epístola aos Romanos, diz: «Espero que depois de vos visitar, me encaminheis para a Espanha, porque quero ir também à Espanha.»
Não se conforme. Não nos conformemos dizendo: «Já cheguei, já alcancei tudo, já me formei, não há mais nada a fazer.»
O Senhor expande nossa visão para alcançar regiões e formas que não havíamos visto antes, para estender a obra à qual Ele nos chamou.
Terceira forma de construir obediência: Adote a visão do reino, prossiga sem se conformar.
Conclusão: A Obediência como Natureza
A obediência não é conduta. A obediência não é comportamento. A obediência não é a resposta afirmativa a instruções que nos dão. Essas são ações.
A obediência é uma natureza, é uma essência, é uma transformação, é uma vida completa.
Sinais de que entramos na obediência
Sabemos que entramos nos processos de obediência quando:
- Não nos iramos pelas coisas que acontecem
- Não nos rebelamos porque não obtivemos as coisas que pedimos ao Senhor
- Não há reatividade dizendo: «Não aguento mais isso, quem pode aguentar esta situação, quem pode tolerar isso»
Como diz o apóstolo: «Esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.»
Resumo: Três Atributos para Ganhar Autoridade
Estudamos três atributos para ganhar autoridade espiritual:
1. Santidade
Entendida como ausência de contaminação. Isso nos leva a entender a necessidade de nos submetermos à libertação.
«Estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida a vossa obediência.»
Como podemos esperar expulsar demônios? Como podemos esperar estabelecer autoridade contra as forças das trevas se não passamos por uma descontaminação de nossos corpos?
Muitos de nós vivemos em práticas de adivinhação, feitiçaria, bruxaria e espiritismo, e dissemos: «Eu não faço mais isso.» Mas uma vida que não foi confessada é uma vida que ainda mantém vivas as forças das trevas que os levaram a essas práticas.
Todos precisamos de libertação. Se dizemos «aquela pessoa precisa e eu não,» estamos na verdade evitando participar desta grande obra do Espírito de Deus que Ele está levantando nestes últimos tempos para estabelecer Seu reino sobre a face da terra antes da vinda de Cristo Jesus.
2. Revelação
Caminhar no conhecimento que Deus entrega através de Seu Espírito Santo para derrubar estratégias inimigas.
3. Obediência
Desenvolver a natureza de obediência através de:
- Permanecer na palavra de Deus
- Passar pelos processos de sofrimento que Deus permite
- Não se conformar, mas prosseguir na visão do reino
Duas Ênfases dos Últimos Tempos
Há dois eventos que Deus estará desenvolvendo nestes últimos tempos:
Primeiro evento: A restauração de todas as coisas
Em Atos 3:21 diz:
«O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio.»
Jesus não virá sem que a restauração de todas as coisas venha primeiro.
Segundo evento: Guerra espiritual e libertação
Em 1 Coríntios 15:25 diz:
«Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés.»
Esta é uma declaração do apóstolo Paulo. Tanto Pedro como Paulo, em tempos diferentes, estão falando em quase os mesmos termos, estabelecendo ou dando a revelação de que antes da vinda de Cristo Jesus, Deus levantará homens e mulheres para trabalhar na restauração de todas as coisas. E aqui entra o espírito de Elias, sobre o qual lemos em alguns textos, o espírito de Elias que restaura todas as coisas.
Segundo, guerra espiritual e libertação. É necessário que Ele reine, Cristo Jesus reine até que todos os Seus inimigos sejam postos debaixo de Seus pés. Do que isso está falando? De guerra espiritual e libertação.
Portanto, as duas principais ênfases que estarão se desenvolvendo no que constitui a obra de Deus nestes últimos tempos têm a ver com a restauração das coisas. O espírito de Elias tem a ver com guerra espiritual e com libertação.
Portanto, «estando prontos para vingar toda desobediência quando for cumprida a vossa obediência» está estabelecendo para nós a necessidade de nos submetermos à libertação. Por quê? Porque de outra forma não podemos desenvolver nenhuma autoridade.
Concluímos hoje com o terceiro atributo: é necessário que caminhemos em santidade, entendida como descontaminação de toda contaminação da carne e do espírito; que caminhemos na revelação que Deus nos entrega; e terceiro, que construamos obediência, que desenvolvamos obediência, que ganhemos obediência.
No ensinamento de hoje vimos do que consiste a obediência e como a obediência é ganha.
Que o Deus eterno, o Todo-Poderoso, abra nossos olhos para que possamos ver nestas instruções um chamado, um chamado profético, um chamado apostólico, para trabalhar nestes últimos tempos, não atrás de um púlpito, possivelmente nem mesmo patrocinado por uma igreja, mas para que possamos trabalhar estabelecendo o reino de Deus no bairro, na comunidade, no condomínio, no negócio, na cidade, no país onde Ele nos fez habitar.
Que a paz do Senhor esteja com você e com sua casa. Amém.
Pastor Pedro Montoya
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