Introdução
A paz do Senhor seja convosco e com vossa casa. Dou graças ao Deus eterno pelo tempo que Ele nos permite para nos expormos diante de Sua Palavra e, por meio dela, recebermos a revelação que nos ajuda a caminhar conforme a Sua vontade.
Estudaremos o Evangelho de Lucas, capítulo 15, versículos 11 a 32, onde se encontra a parábola do filho pródigo. É um relato conhecido pela maioria do povo crente: um homem tinha dois filhos, e o mais novo vem diante do pai e lhe pede a parte da herança que lhe corresponde.
Duas Razões para Estudar esta Parábola
Primeira Razão: O Processo da Salvação
Esta parábola nos apresenta com detalhes precisos o processo da salvação. A salvação não é um ato, a salvação é um processo. Quase sempre a temos visto como um ato único, mas quando estudamos a Palavra do Senhor, tanto no Novo como no Antigo Testamento, nos damos conta de que a salvação é um processo. Esta parábola estabelece com clareza em que consiste esse processo.
Segunda Razão: Os Aspectos da Salvação
Ela nos apresenta os dois aspectos da salvação. A maioria de nós tem a ideia de que a salvação é unicamente escatológica, isto é, futura: quando estes céus e esta terra desaparecerem e o Senhor criar uma terra nova e um céu novo, e possamos estar diante de Sua presença eternamente.
Entretanto, a Palavra do Senhor nos apresenta que a salvação tem dois aspectos: não somente o futuro, mas também um aspecto presente, um aspecto terreno, e este aspecto muitas vezes desconhecemos.
Não temos entendido em que consiste o tipo de vida que Deus quer que desenvolvamos aqui na Terra. Temos lido textos como «Seja feita, Senhor, a Tua vontade na terra como se faz no céu», mas o temos entendido como aspectos da vida cotidiana que devem se ajustar à vontade do Senhor, enquanto isso, cada um desenvolve a vida como melhor lhe parece.
A Palavra do Senhor não ensina isso. Ela nos ensina que estamos vivendo aqui na terra no Reino de Deus, pois Jesus disse claramente: «O Reino de Deus está entre vós». Mas este aspecto da salvação é desconhecido pela maioria.
Vemos Deus intervindo esporadicamente em nossas vidas, particularmente quando necessitamos de um socorro sobrenatural. A Palavra nos ensina que estamos vivendo diante da presença do Senhor todo o tempo.
Por estas duas razões — porque nos apresenta com detalhes o processo da salvação e porque nos fala do aspecto presente da salvação — é necessário que estudemos esta parábola.
Contexto da Parábola
A Alegria nos Céus
A parábola está integrada com um grupo de parábolas que falam da alegria que há quando um pecador se arrepende. No versículo um encontramos a primeira parábola: o pastor que tem 100 ovelhas e se lhe desvia uma, deixa as 99 no redil para buscar a perdida, e se regozija quando a encontra.
A segunda parábola apresenta uma mulher que tem 10 dracmas e perde uma. Ela varre e procura em todos os lugares até encontrá-la, e compartilha sua alegria com suas vizinhas.
Em ambas as parábolas se conclui que assim é a alegria nos céus quando um pecador se arrepende.
O ensinamento do filho pródigo tem a ver com a alegria no Reino dos Céus quando uma pessoa vem diante da presença do Senhor. Arrependimento é vir diante da presença do Senhor, é reconhecer a necessidade de caminhar conforme a vontade de Deus. Não é um elemento religioso; é simplesmente o homem se reconciliando com Deus e caminhando conforme a vontade que Ele estabeleceu sobre a terra.
O que Devemos Fazer para Receber a Salvação
A segunda característica tem a ver com o que devemos fazer para receber o benefício da salvação. Embora possa soar chocante porque não é o que se prega hoje, é importante entendê-lo.
Nas duas primeiras parábolas, visto que os elementos perdidos são uma ovelha e uma moeda que não podem fazer nada para serem encontrados, o esforço recai no pastor e na mulher que buscam. Há um esforço, há uma ação para encontrar o perdido.
No caso do filho pródigo, visto que não é uma ovelha nem uma moeda, o esforço não recai no pai; o esforço recai no filho perdido. O filho mais novo tem consciência, tem livre-arbítrio, tem capacidade de decisão. Portanto, o esforço recai nele mesmo.
Esta é a parte que nos corresponde entender. Quando fazemos a pergunta «o que devo fazer para entrar no Reino dos Céus?», como perguntou o jovem rico, quase sempre respondemos: «Não há que fazer nada. Tudo é por graça e por meio da fé. Somente aceite Jesus e já conseguiu tudo.»
Mas temos a experiência de que homens e mulheres aceitam Jesus, formam parte de uma congregação, e depois de certo tempo reincidem em sua conduta anterior. Alguns voltam, outros não.
A pergunta é: Por que há tanta reincidência dentro do cristianismo? A resposta é simples: porque não estamos caminhando conforme o que a Palavra do Senhor estabelece.
Há que fazer algo para entrar no Reino dos Céus? Sim, há que fazer algo.
A ovelha não podia se encontrar a si mesma, estava seguindo seus impulsos. O esforço recaiu no pastor. A moeda não podia se encontrar a si mesma, assim o esforço recaiu na mulher.
Mas o filho mais novo não é uma moeda nem uma ovelha. Tem consciência, livre-arbítrio e capacidade de decisão. O esforço não recai no pai, recai nele mesmo.
Sim, efetivamente há que fazer algo. Não são ações para comprar a salvação ou para nos salvarmos por nossos méritos. A Palavra do Senhor não ensina isso, mas é importante entender que Deus requer de nós que façamos algo.
Quando falamos de salvação, devemos entendê-la como uma palavra integral que inclui não somente a salvação da alma, mas também a libertação, a cura e a restauração nas distintas áreas onde temos caído em fracasso, caos, crise ou perda.
As Quatro Etapas da Parábola
A parábola tem quatro etapas bem definidas. Vamos estudá-las separadamente para ver qual é o processo da salvação e o que Deus demanda do homem e da mulher para serem tomados por dignos merecedores da salvação.
Primeira Etapa: A Perversidade (Versículos 11-13)
Versículo 11: «Um homem tinha dois filhos, e o mais novo deles disse a seu pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu entre eles a fazenda.»
Versículos 12-13: «E não muitos dias depois, ajuntando tudo, o filho mais novo partiu para longe, a uma província distante, e ali desperdiçou sua fazenda vivendo perdidamente.»
Esta primeira etapa é a etapa da perversidade. O filho mais novo está caminhando em uma conduta perversa. Não vemos a imagem de um pai misericordioso que busca o benefício de seus filhos. Vemos o filho caminhando em perversidade.
Observemos a que nível chega a perversidade do rapaz:
Três Aspectos da Perversidade
1. Arrogava-se Benefícios que Não Lhe Pertenciam
A perversidade consistia em reclamar benefícios que não lhe pertenciam. A fazenda era do pai e o pai ainda estava vivo. Apresenta-se-nos um quadro de uma família judaica, e dentro dos costumes judaicos não se costumava deixar herança aos filhos senão até quando o pai havia falecido.
A arrogância do rapaz, enquanto o pai ainda estava vivo, demanda o que não lhe pertence.
2. Desejou a Morte ao Pai
O que significou que o filho pedisse a herança antes do tempo? Significou desejar a morte ao pai. O filho, de forma caprichosa, se aproxima do pai dizendo-lhe: «Tu para mim estás morto, porque o que busco agora é minha herança.» A perversidade em que caminhava era tão grande que chegou ao ponto de definir que seu pai para ele estava morto.
3. Constituiu-se em um Jovem sem Pátria
O versículo 13 diz: «E não muitos dias depois, ajuntando tudo, o filho partiu para uma província distante.»
O rapaz se constituiu em um jovem sem pátria. Saiu de seu território, de sua comarca, de sua nacionalidade, e foi para um lugar onde ninguém o conhecia.
Quando vamos a Efésios capítulo 2, o apóstolo Paulo diz que «noutro tempo estáveis sem pátria, sem Deus e sem esperança». Essa foi a opção que este rapaz escolheu. Sendo parte de uma família abastada, sendo parte de uma nação com o benefício de Deus, decidiu sair de tudo isso.
É uma conduta perversa porque ia contra tudo o que seus antepassados haviam construído como herança para ele.
A Lei Espiritual da Semeadura e da Colheita
Quero assinalar o que a Palavra do Senhor estabelece. Em Gálatas capítulo 6, versículo 7, diz: «Não vos enganeis, Deus não se deixa escarnecer. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará.»
Isto é uma lei espiritual: Tudo o que o homem semear, isso colherá. Se caminhamos em perversidade, colheremos perversidade. Se semearmos rebeldia, colheremos rebeldia. Se semearmos rebelião, colheremos rebelião.
Esta lei espiritual se aplica a todos os homens e a todas as mulheres. Não podemos dizer «isso não se aplica a mim.»
É importante entender que nossas ações trazem resultados. Se nossas ações são de rebeldia, rebelião, perversidade ou vão contra o que Deus estabeleceu como bom e aceitável, isso é precisamente o que colheremos.
Muitas vezes o que estamos vivendo é o que nós mesmos semeamos num momento determinado. Quando vemos coisas adversas em nossas vidas, quase sempre atribuímos que é uma intervenção satânica e não queremos assumir a responsabilidade de que fomos nós quem o semeamos.
Segunda Etapa: Tocando o Fundo (Versículos 14-16)
A segunda etapa nos mostra que o rapaz tocou o fundo, chegou até o último da crise.
Versículo 14: «E quando tudo havia esbanjado, veio uma grande fome naquela província e começou a padecer necessidade.»
Versículo 15: «E foi e se chegou a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para sua fazenda para que apascentasse os porcos.»
Versículo 16: «E desejava encher seu ventre das alfarrobas que comiam os porcos, mas ninguém lhas dava.»
Aqui temos o cumprimento da lei espiritual: tudo o que semeamos, isso colhemos. Semeou rebelião e perversidade; agora está colhendo rebelião e perversidade.
O Ponto Mais Baixo
Havia se terminado toda sua fazenda, toda sua provisão. Então veio algo que não havia considerado: uma fome que fez mais complicada sua situação.
Estava numa região fora de sua terra. Quando vai buscar ajuda entre os moradores do lugar, o enviam a apascentar porcos. Para um judeu, apascentar porcos é o mais abominável que há.
Recorde quando Jesus cruzou o lago de Genesaré e se encontrou com o endemoninhado gadareno. Havia uma manada de porcos, e os demônios pediram para passar para eles porque não estavam numa região judaica, mas gentílica.
Com isto, a parábola nos diz que o jovem chegou até o fundo. Tanto assim que, embora estivesse trabalhando, o versículo 16 diz: «E desejava encher seu ventre das alfarrobas que comiam os porcos.» O salário não satisfazia suas necessidades mais básicas. Chegou ao cúmulo de desejar comer a comida dos porcos.
A Importância de Caminhar na Vontade de Deus
Isto nos ensina algo crucial: um homem ou uma mulher que caminha fora da vontade de Deus nunca vai poder prosperar.
Não se trata de ter bons empregos, boas profissões, títulos ou certificações. Trata-se de caminhar conforme a vontade de Deus.
Quantas pessoas hoje estão sofrendo? Sofrendo por escassez, por enfermidades que não conseguem resolver, por depressões que não podem superar. Buscam e buscam, mas nunca encontram.
Por quê? Aqui está a resposta: enquanto o homem ou a mulher caminhem afastados da vontade de Deus, enquanto não venham a contas com o Senhor, nunca poderão resolver seus problemas, nunca poderão resolver suas crises, nunca sairão de seu caos.
No livro do profeta Isaías, capítulo 1, versículo 18, diz: «Vinde então, diz o Senhor, e arrazoemos. Se vossos pecados forem como a escarlata, ficarão brancos como a neve. Se forem vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.»
Estejamos a contas, ponhamo-nos a contas. Enquanto não entendermos que estamos caminhando fora do que Deus estipulou para nós — porque não se trata de uma conduta geral, mas de uma vontade específica que Deus determinou para cada pessoa individual — nunca poderemos resolver nossa situação, nunca poderemos sair da crise, do caos, da condição em que estamos, por pequena que pareça.
Esta é a parte que devemos entender: tudo o que semeamos, isso colhemos.
O que Semeamos no Passado
O que estamos colhendo hoje? Temos que ir ao passado particular, pessoal, individual, e descobrir o que semeamos em nossa vida.
Aqui devo corrigir algo que circula nos meios eclesiásticos: «Mas isso eu fiz antes de vir a Cristo Jesus, isso eu fiz em minha passada maneira de viver», como querendo dizer que isso não conta, que o que conta é desde quando vim a Cristo em diante.
Tenho que lhe dizer: isso é um conceito completamente equivocado. A Palavra do Senhor nos ensina que nossas vidas são como uma linha: passado, presente, futuro. E tudo, sem exceção, está diante da presença do Senhor.
Por isso muitas vezes não podemos entender por que estamos passando o que estamos passando. O atribuímos aos efeitos climáticos, aos problemas econômicos, aos problemas políticos. Muitas pessoas dizem erroneamente: «Se votar neste candidato, meu panorama será completamente diferente.»
Tenho que lhe dizer: a solução não está em elementos políticos, econômicos ou culturais. A solução está em que possamos entender o que semeamos no passado, que é o que hoje estamos colhendo.
Não vale dizer «mas o fiz antes de vir a Cristo Jesus», porque nossas vidas estão diante da presença do Senhor. Deus não vai nos julgar desde o momento em que viemos a Cristo em diante. Deus vai nos julgar por toda a vida: desde que começamos a viver até que partimos desta terra.
Por isso é importante o que semeamos, independentemente de quando o fizemos. Também o estamos colhendo hoje. Por quê? Porque não temos entendido do que Deus nos salva, do que Deus quer nos salvar.
O Verdadeiro Arrependimento
Somente temos acreditado que se venho a Cristo já sou nova criatura, sou salvo e vou caminhar nas ruas de ouro. Assim o apresentamos, estabelecendo confusão, porque não é exatamente isso o que a Palavra do Senhor estabelece.
A Palavra estabelece que o homem tem que se arrepender, que a mulher tem que se arrepender. Arrepender-nos de quê? «Mas se eu não fui drogado, prostituta ou assassino.» Quase sempre tendemos a crer que necessita de Deus somente quem assassinou ou quem andou numa vida perversa.
Necessitamos de Deus todos. Ainda que não tenhamos feito o que um criminoso fez, todos necessitamos. Por quê? Porque diz claramente a Palavra que em Adão e Eva todos estávamos representados naquele dia. O que fez Adão, o que fez Eva, fizemos cada um de nós porque estávamos presentes na vida deles.
O processo da salvação consiste em que o homem possa entender que está colhendo o que semeou num momento determinado. E para aqueles que dizem «mas é que não fiz nada», tenho que lhes dizer:
As intenções também contam. Os pensamentos também contam. Os sentimentos também contam. Os comentários também contam, não somente as ações.
As ações são o resultado de decisões que se tomaram premeditadamente. É importante entender que Deus nos julga integralmente: não só pelo que fizemos, também pelo que pensamos, pelo que sentimos, pelo que desejamos, pelas intenções que desenvolvemos.
Estamos diante de Deus todo o tempo.
Terceira Etapa: O Processo de Salvação (Versículos 17-21)
A terceira etapa é a etapa da salvação. Está bem definida em três seções: três ações que o jovem teve que fazer, e são precisamente as ações que Deus demanda para poder herdar o Reino dos Céus.
Primeira Ação: A Consciência (Versículo 17)
Versículo 17: «E caindo em si, disse: Quantos jornaleiros em casa de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome?»
A ação da consciência.
Quantos homens e mulheres caminhamos na vida sem consciência do que estamos fazendo? Quantos caminhamos automaticamente? Quantos caminhamos por rotina?
Não lhe aconteceu que em ocasiões vai para um lugar diferente do que usualmente costuma, mas pela rotina, de momento perde a rota e vai para outro lugar? Como está acostumado a ir ao mesmo lugar todos os dias, pega o mesmo caminho. Nos aconteceu. Por quê? Porque muitas vezes caminhamos sem consciência do que estamos fazendo.
A consciência é um ato. Cada um de nós, homens e mulheres de Deus, temos que ter consciência de nossa posição, de nossa situação. Temos que ter consciência de tudo o que fazemos.
Em Primeira de Timóteo, capítulo 1, versículo 19, diz: «Mantendo a fé e boa consciência, a qual, rejeitando-a alguns, fizeram naufrágio na fé.»
Não ter consciência pode nos levar a perder a fé.
O processo da salvação começa com ter consciência.
O Grave Erro das Orações Repetidas
Há muitas pessoas que não conseguem resolver seus problemas porque não têm consciência, porque estão seguindo instruções. «Faça isto», e o fazem. «Faça isto outro», e o fazem. «Tome isto», e o tomam. Não têm consciência; estão seguindo o que outros lhes dizem.
Tenho que lhe dizer algo forte: nós, os ministros, cometemos um gravíssimo erro quando quisemos levar outros a Cristo Jesus: «Repita esta oração.» Muitas pessoas repetem a oração.
Gravíssimo erro, porque não são palavras deles; são palavras postas em seus lábios. Muitos não sabem nem sequer o que estão dizendo. Gravíssimo erro o que os ministros fizemos nas igrejas.
Não se trata de «diga-me o que tenho que fazer e o farei». Se bem é certo que a fé começa quando seguimos uma instrução, é importante entender a necessidade de ter consciência do que estamos fazendo. Uma pessoa, se não tem consciência da instrução que se lhe está dando, não obterá nenhum benefício.
O Exemplo do Cego de Nascença
Em João capítulo 9 se apresenta o caso de quando Jesus curou o cego de nascença. Pensemos: se o cego, quando estava sentindo que lhe punham lodo, tivesse dito: «O que me estão pondo? Para que é isto? Por quê?» E lhe dizem: «Vá agora ao tanque», e ele dissesse: «Para que me lavar?»
Se não se tem consciência do que está acontecendo, a instrução não vai resultar, não vai trazer nenhum fruto nem benefício.
A Reincidência no Cristianismo
Isso é o que está acontecendo em muitos homens e mulheres que vieram a Cristo Jesus. Passaram à frente numa congregação, repetiram uma oração que não saiu de seu coração, palavras que foram postas neles. Cinco minutos depois não se lembram nem do que disseram.
Entende agora por que há tanta reincidência dentro do povo cristão? Por que tantos voltam a suas condutas passadas? Porque não têm consciência do que estão fazendo. Estão seguindo simplesmente passos, como se a vida de fé fosse uma fórmula ou uma receita.
Desenvolver Consciência
O processo da salvação começa com uma ação: ter consciência.
Consciência de que eu estou nesta crise, nesta debacle, nesta enfermidade porque eu o semeei. Não é que o inimigo está me atacando. Não estou dizendo que não seja assim, mas não podemos buscar um culpado quando na realidade nós colaboramos, ou construímos, o que hoje estamos sofrendo ou padecendo.
Ter consciência, desenvolver consciência do que é realmente minha situação. O apóstolo Paulo diz que «o deus deste século cegou os entendimentos para que não lhes alumbre a luz de Cristo.»
Há muitas pessoas que, vendo-se na crise em que estão, não podem ver que isso é produto de suas próprias ações do passado. Muitos buscamos responsáveis, buscamos culpados: meu pai, minha mãe, meus irmãos, a sociedade, o político, a crise econômica. Buscamos culpados, mas não queremos desenvolver consciência do que é realmente nossa situação.
Há pessoas vivendo num ambiente de abominação, de sujeira e destruição, e não podem vê-lo porque não desenvolveram consciência de qual é seu estado, sua condição.
O que é que Deus demanda? O que devo fazer para entrar no Reino dos Céus? Número um: desenvolver consciência.
«Por que estou nesta condição? Por que o inimigo tomou posição em meu corpo quando meu corpo, diz a Palavra, é morada do Espírito Santo? Por que o demônio está operando em minha casa, em meu ambiente?»
Temos que desenvolver consciência de qual é verdadeiramente nosso estado, nossa realidade, nossa situação. Enquanto não pudermos desenvolver consciência, realmente não poderemos entrar no processo da salvação.
O processo da salvação começa precisamente aqui, versículo 17: adquirir consciência.
«E caindo em si, disse: Quantos jornaleiros em casa de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome?»
Tudo começa quando despertamos para a realidade, quando abrimos nossos olhos para ver o estado em que caímos. Não é culpado o vizinho, a vizinha, os familiares, os pais, os irmãos. O único culpado somos cada um de nós.
Segunda Ação: A Intenção (Versículos 18-19)
Versículos 18-19: «Levantar-me-ei e irei a meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho. Faze-me como a um de teus jornaleiros.»
Segunda ação: intenção.
Intenção tem a ver com decisões, propósitos, atitudes, disposição de ânimo, conduta, caráter, personalidade, desenvolvimento de um pensamento proativo, disposição de se mover.
Não é ficar somente no projeto, mas mover-se e estabelecer os passos a seguir para alcançar o propósito.
Observe bem: «Pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho.» Isso foi o que o jovem dispôs em sua intenção, em seu propósito, em sua decisão. «Quando eu chegar, isto é o que lhe vou dizer: ‘Faze-me como a um de teus jornaleiros.’ Eu vou dizê-lo.»
Tem que haver uma intenção.
O Problema de Ficar nos Projetos
O problema que muitos tivemos é que não somente não temos consciência (e muitos têm estado seguindo instruções: «Faça isto, faça o outro, tome isto»), mas tudo fica no projeto, tudo fica num ideal, em planos: «Se eu tivesse isto, se eu pudesse fazer isto, se eu…» E tudo fica no «se eu». Não há uma disposição de ânimo de alcançar algo.
O processo da salvação começa quando desenvolvemos consciência, mas é igualmente importante que tenhamos uma intencionalidade para levar a cabo aquilo que nos livre da situação em que estamos.
Orar, Jejuar e Fazer Vigílias Não São Suficientes
Um dos problemas que tenho visto em homens e mulheres crentes é: «Vou orar, vou jejuar, vou fazer vigílias.»
Tenho que lhe dizer: não estou contra orar, jejuar nem fazer vigílias. Há que fazê-las, claro que sim. Mas quando se apresentam como uma alternativa de mudança, não funciona, porque Deus está esperando de nós: mova-se. Adquiriu consciência, agora disponha o que vai fazer, como vai resolver sua situação, com que intenção, com que intensidade, com que caráter, com que personalidade, com que disposição vai enfrentar esta crise.
O que disse Deus a Moisés? «Este não é tempo de orar. O que tens na mão? Este é tempo de desenvolver intencionalidade para fazer algo que Deus veja em ti que há um esforço.»
Quando nós dizemos «não há que fazer nada», estamos danificando o propósito de Deus. Deus busca que façamos, que mostremos que há uma intencionalidade, que há uma disposição. Do contrário, não vai acontecer absolutamente nada.
«Por que te prostras sobre teu rosto?» Deus disse igualmente a Josué quando, por causa de Acã, foram derrotados na segunda batalha depois de Jericó. Josué estava prostrado e Deus lhe disse: «Por que te prostras sobre teu rosto? Vocês estão nesta condição porque pecaram. O povo pecou porque tomaram o que não deviam ter tomado.»
Não tudo se resolve dizendo: «Vou orar.» Deus está esperando que haja uma disposição, uma intencionalidade para fazer algo.
Terceira Ação: A Ação Deliberada (Versículos 20-21)
Versículo 20: «E levantando-se, foi para seu pai. E quando ainda estava longe, viu-o seu pai e se moveu de íntima compaixão, e correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.»
Quem correu? Quem correu para quem? O filho para o pai, não o pai para o filho. «Se moveu de íntima compaixão e correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.» Praticamente o pai lhe estava dizendo: «És meu filho, sempre foste meu filho, seguirás sendo meu filho.»
Aqui vem a terceira ação. Qualquer um teria podido dizer: «Bom, aquilo que dispus dizer já não digo, porque ele me aceitou. Com esse abraço e esse beijo está me dizendo que me perdoou. Comecemos de novo, não aconteceu nada.»
Não. O jovem… vá ao versículo 21:
Versículo 21: «E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e contra ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.»
A Ação Deliberada
Terceira ação: Deus busca uma ação deliberada. A que me refiro? Me refiro a que se o disse, complete-o. Não o deixe no meio, não o deixe sem fazer. Isso é deliberado. É algo que se dispôs fazer num momento. Se o dispôs, complete-o, diga-o.
Isso foi efetivamente o que passou com o jovem. A ação do pai era de aprovação, de aceitação, de perdão: «Aqui não aconteceu nada.» Isso poderia ter sido mal interpretado por parte do filho para dizer: «Pois já está arrumado tudo, já está resolvido tudo.»
Mas o filho, o que teve como intenção, agora o completou. É uma ação deliberada. Uma ação deliberada é aquela que se completa tal e como se decidiu fazer.
Esta é a parte que muitas vezes nos falta. Mal interpretamos as coisas. «Bom, a reação do pai… eu não tenho que dizer mais nada, já está tudo arrumado.» E aqui fica o processo truncado.
A salvação é uma ação consciente, intencional e deliberada. O processo tem que se completar, o ciclo tem que se completar.
Há algo que devemos fazer? Sim, há algo que temos que fazer.
Não é o caso da ovelha perdida, porque não podia fazer nada para que o pastor a encontrasse. Não é o caso da moeda perdida, porque não pode fazer nada para que a proprietária a encontre.
É o caso do homem, da mulher que caiu em crise, em caos, em negligência, em desaprovação.
O que temos que fazer? Uma ação consciente, uma ação intencionada, uma ação deliberada que complete o ciclo.
O Caso do Jovem Rico
O que aconteceu com o jovem rico? O jovem rico perguntou: «Mestre bom, o que devo fazer para herdar o Reino dos Céus?» Ele está consciente de que algo lhe falta. «Tudo isto fiz desde minha juventude.» Tem a intenção, porque já Jesus havia saído e o jovem correu para alcançá-lo e fazer-lhe a pergunta.
Mas lhe faltou a terceira parte: o deliberado. O jovem disse: «Tenho muitas riquezas.»
As ações que Deus demanda têm que nos custar. E isto foi o que o jovem rico não quis fazer.
Deus não está pedindo nada simples. Deus está te demandando algo que te custe, algo que te doa. Sim, assim como você ouve.
«Quer que Deus te cure? Mas não está disposto a privar-te de algo para submeter-te ao Senhor.» Algo deliberado, algo que doa, algo que custe, algo que manifeste: «Realmente, para mim, Senhor, a salvação, a libertação, a restauração, a cura, para mim é tudo.»
«O que tenho eu que fazer? Eu o faço. Tens que entregar tudo. Está bem, entrego tudo. Vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, terás tesouro nos céus. Vem e segue-me.»
Ações que Pesam
As ações que Deus demanda são ações que pesam, que têm peso, ações que nos esforçam a fazê-las. Não são fáceis.
O Exemplo da Viúva Pobre
No Evangelho de Lucas há um caso de uma mulher viúva e pobre que tinha duas moedas pequenas — para nós, centavos. Isso era o único que tinha.
Viúva e pobre significa que não há ninguém que vele por ela. Significa que não tinha absolutamente nada para comer. O único que tinha eram duas moedas pequenas, dois centavos.
Foi, as entregou, e Jesus disse: «Esta deu mais que todos aqueles que deram grandes quantidades de dinheiro.»
Por quê? Porque entregou tudo, porque a mulher disse: «Para mim, o Senhor é tudo. E se tenho que ficar sem comer, vou ficar sem comer.»
Não Fazer Misturas
Muitas vezes queremos fazer mistura de tecidos. Queremos fazer misturas: «Eu quero que o Senhor me cure, mas vou tomar este medicamento.» O que estamos fazendo é misturar. Não há nada que nos esteja custando.
Quando atuamos desta maneira, estamos mostrando que não há nenhum esforço. E portanto, não somos contados como dignos para o que Deus está entregando.
É forte, mas é precisamente o que Deus busca. Estes são os homens e as mulheres que arrebatam o Reino dos Céus. Leu na Palavra que «o Reino dos Céus, os valentes o arrebatam»?
Há muitos homens e mulheres que não são valentes dentro do Reino, que queremos partes fáceis, partes simples, partes que não nos afetem. Irmão, se a salvação é algo valioso e nos comportamos desta maneira, o que estamos é menosprezando a salvação de Deus.
Quarta Etapa: Os Aspectos da Salvação (Versículos 22-24)
Versículos 22-24: «Mas o pai disse a seus servos: Tirai a melhor roupa e vesti-o, e ponde um anel em sua mão e sapatos em seus pés. E trazei o bezerro cevado e matai-o, e comamos e façamos festa, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha se perdido e foi achado. E começaram a se regozijar.»
Os Dois Aspectos da Salvação
A quarta etapa nos apresenta os aspectos da salvação. Os aspectos da salvação não são somente futuros. Muitos somente estamos esperando os céus novos, a terra nova, caminhar nas ruas de ouro, nossas mansões de ouro. Isso é o único que esperamos. E enquanto vivemos sobre a face da Terra, vivemos, em muitos casos, como mendigos, como pessoas que não conhecemos o Senhor.
A salvação tem dois aspectos: uma etapa futura onde sim, efetivamente, vamos caminhar em ruas de ouro, vamos caminhar no Reino de nosso Pai. Você pode ir ao livro de Apocalipse e ali se descreve claramente.
Mas a salvação tem uma manifestação presente. Enquanto estamos na Terra, estamos no Reino dos Céus, estamos vivendo no Reino dos Céus. E nossa forma de viver na Terra tem que ser da mesma forma como será quando estivermos no Reino dos Céus.
Três Símbolos da Restauração
1. A Roupa: Dignidade
Versículo 22: «Mas o pai disse a seus servos: Tirai a melhor roupa e vesti-o.»
O que significa a roupa? Foi a primeira ação do pai. O que significa a roupa?
Em Gênesis capítulo 3, versículo 21, diz: «E fez o Senhor Deus ao homem e a sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.»
Exatamente o mesmo que diz Lucas capítulo 15. A roupa significa dignidade. Deus nos faz dignos.
Muitos vemos que temos que ir levando a cruz, e a cruz a temos considerado como dor, como sofrimento, como penúria — que, diga-se de passagem, é uma mensagem católica —: estar em penitência todo o tempo.
Não. Levar a cruz não significa isso. Levar a cruz é morrer para mim. «Já não vivo eu, Cristo vive em mim.» Isso é levar a cruz.
O que significa vesti-lo? Que o fez digno. Vestiu-o de dignidade. Sabe o que significa a misericórdia de Deus? Uma roupa. Deus nos fez dignos.
Em Deuteronômio capítulo 28, os primeiros 14 versículos apresentam as bênçãos que Deus dá ao povo. Lhe diz: «Serás posto por cabeça e não por cauda. Tudo o que tua mão tocar será bendito e prosperado.»
Deus faz digno o homem. Muitos vivemos como mendigos, como rogando sempre para ter algo. A salvação tem um aspecto presente. Deus nos fez dignos, e como dignos, como filhos, como herdeiros, agora te está dignificando para que vivas como filho, não como disse a mulher sirofenícia: «Ainda os cachorrinhos comem das migalhas que caem de seus donos.»
2. O Anel: Autoridade
«Ponde um anel em sua mão.»
O que significa o anel? O anel significa autoridade. Reveste-o de autoridade. Deu-lhe dignidade, e agora está revestindo-o de autoridade.
O que significa a autoridade? Em Gênesis capítulo 1, versículos 27 e 28, diz: «E criou Deus o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a, e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move sobre a terra.»
Este foi o primeiro mandamento que Deus deu ao homem: sujeitai-a e dominai.
No Salmo 19 diz: «Os céus declaram a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.»
Está falando do firmamento, de tudo o que Deus criou. E disso que Deus criou, Deus o entregou ao homem no jardim do Éden.
O que significa que o pai lhe entregou o anel? Está devolvendo-lhe a autoridade que Adão e Eva receberam no jardim do Éden. Isso é o que lhe está entregando.
Isto muitos não o temos visto. Por quê? Porque quase sempre estamos pensando no futuro e descuidamos o presente que estamos vivendo. Esta é a parte que devemos entender.
Está devolvendo-lhe a autoridade que Adão e Eva perderam no jardim do Éden.
3. Os Sapatos: Apagar o Passado
«E sapatos em seus pés.»
Observe o processo: pôr-lhe roupa nova, anel, e agora sapatos em seus pés. Porque os sapatos têm a ver com seu passado. É para apagar-lhe o passado de ter estado apascentando porcos e ter desejado as alfarrobas que davam aos porcos. Para apagar-lhe seu passado completamente.
E isto é salvação.
A Salvação Começa no Presente
A salvação não somente tem a ver com nosso futuro. A salvação começa em nosso presente.
Se não podemos viver nesta vida como filhos de Deus, de que nos serve realmente dizer que vamos caminhar em ruas de ouro? De que nos serve? O que estamos apresentando é uma negação do outro. Um nega o outro.
Entende o que significa viver por fé? Viver por fé significa entender: «Eu sou herdeiro de tudo isto. Deus me entregou autoridade sobre tudo isto, sujeitá-lo. Te devolvo a autoridade para sujeitá-lo. E agora te apago teu passado: estiveste convivendo com porcos, te apago teu passado; estiveste desejando as alfarrobas dos porcos, te apago teu passado.»
Isto é salvação.
O que Devo Fazer?
«O que devo fazer para obter a vida eterna? O que devo fazer para herdar o Reino dos Céus?»
Há que fazer algo? Sim, há que fazer algo. E tem que fazer algo que não é simples nem fácil. Não é «o fiz e já.» É algo que nos custa. É algo que vai contra nós mesmos, contra nosso orgulho, contra nossa vaidade, contra como os demais nos viram e como nos conduzimos.
Tem que nos doer, tem que nos pesar.
«Não estou acostumado a viver sem dinheiro. Vou entregar tudo.»
«Não estou acostumado a viver sem amigos. O que para mim era ganho reputei em perda.»
«Não estou acostumado a viver sem medicamentos. Senhor, Tu és minha cura.»
Irmão, tenho que falar disto. Por quê? Porque muitas vezes estabelecemos mensagens ambíguas que não conduzem a nada, que não estabelecem testemunho a ninguém. Por isso é importante.
A Graça Final
Há um último aspecto que necessito que conheçamos: o pai ainda está vivo. E se o pai devolveu ao filho a autoridade de voltar a ser filho, quer dizer que o filho voltará a herdar quando o pai falecer.
Isso é graça.
Percebe até onde chegam os alcances da salvação? Uma salvação tão grande que não podemos desperdiçar nem menosprezar.
Por isso temos que entender: hoje não se está vivendo um evangelho de fé. Em muitos casos se está vivendo um evangelho comercial, um evangelho barato, um evangelho que não estimula ninguém, que não esforça ninguém, um evangelho que diz: «Deus o que olha é teu coração, Deus o que olha é tua intenção.» Um evangelho que não conduz ninguém a querer o que você tem.
Conclusão e Chamado
Por isso, esta noite, ao chegar a este ponto, devemos ter consciência, porque muitos ainda não saímos de apascentar porcos. Muitos não saímos ainda daí porque não adquirimos consciência de qual é nosso estado, nossa condição, como nos encontramos.
Assim Deus te quer ter. A quem dá testemunho uma vida assim? A ninguém.
Oração Final
Pai, graças Te dou porque Tua Palavra me esforça, Tua Palavra me dignifica, Tua Palavra, ó Deus, me fortalece. Mas não me deixa como era: me muda, me transforma, me vivifica. E Te dou graças, Senhor.
Pai, há muitos homens e mulheres que Tu chamaste, que Tu escolheste, que a partir deste momento vão se conduzir como o filho pródigo, o filho mais novo, e vão fazer atos de fé que serão dignos da salvação tão grande que Tu deste.
E Te dou graças, ó Deus, pelo poder de Teu Santo Espírito.
Em nome de Jesus, amém.
Te abençoo. A paz do Senhor seja contigo. Amém.
pastor Pedro Montoya
Descubre más desde O Instituto Bíblico Online
Suscríbete y recibe las últimas entradas en tu correo electrónico.