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Como Desenvolver o Temor de Deus


Introdução

Dou graças ao Deus eterno, ao Todo-Poderoso, por mais um tempo que em Sua graça e em Sua misericórdia nos permite expor-nos diante de Sua Palavra e diante do poder de Seu Santo Espírito.

Temos estudado nas últimas duas semanas sobre o temor de Deus, e estabelecemos algo fundamental que todo homem e toda mulher de fé precisa saber, conhecer e exercer: o temor de Deus é a base de tudo. O livro de Provérbios diz claramente: «O princípio da sabedoria é o temor de Deus».

Em Deuteronômio 10:12, o Espírito de Deus pela boca de Moisés estabelece a instrução sobre a qual estamos trabalhando esta série de ensinamentos: «Que é que o Senhor teu Deus pede de ti, Israel? Que temas ao Senhor teu Deus, que ames ao Senhor teu Deus, que andes em todos os Seus caminhos e que O sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma».

Embora diga Israel, esta é uma palavra que se aplica a todo homem e a toda mulher que vem diante da presença do Senhor.

A Sequência Divina

Temos dito, e é importante reenfatizar, que para poder amar a Deus primeiro precisamos temer a Deus. Ninguém que não aprenda a temer a Deus pode amar a Deus. Quando a Palavra do Senhor nos diz para «amar a Deus», não está se referindo a termos emocionais ou sentimentais aos quais estamos acostumados. Está se referindo a uma entrega total.

O Senhor Jesus apresentou desta maneira: «Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é digno de Mim». Portanto, quando a Palavra nos diz que devemos amar a Deus, é entrega, é disposição, não sentimento nem emoção.

Da mesma forma, ninguém que não tenha aprendido a temer a Deus pode andar em Seus caminhos. Como será possível andarmos nos caminhos que Deus traçou se antes não aprendemos a temê-Lo? E ninguém que não tenha aprendido a temer a Deus pode servi-Lo com todo o seu coração e com toda a sua alma.

Dois Pontos Introdutórios Essenciais

Para nos introduzir a este tema, quero estabelecer dois pontos fundamentais que nos ajudarão a entender e, acima de tudo, a desenvolver o temor de Deus.

Primeiro Ponto: O Temor de Deus é Ensinável

No Salmo 34:11 lemos estas palavras do salmista Davi pelo Espírito de Deus: «Vinde, filhos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor». O temor de Deus é ensinável.

Na reunião da semana passada estabelecemos que é uma responsabilidade própria, pessoal e intransferível. Nenhum de nós pode ir a um ministro ou ministra e dizer: «Ore por mim, porque eu quero desenvolver temor de Deus». O temor de Deus se desenvolve quando o homem e a mulher se expõem ao ensinamento.

Deixe-me explicar isso sobre «expor-se ao ensinamento», porque sei que há muitas pessoas que se expuseram praticamente durante toda a sua vida ao ensinamento, como o jovem rico que se apresenta a Jesus: «Sim, disso eu fui ensinado, isso eu conheço».

No entanto, quando falamos de ser ensinável, estamos nos referindo acima de tudo a expor-nos à correção. Este é o ponto que muitos de nós não gostamos. Quando a Palavra nos ensina que o temor de Deus é ensinável, não está se referindo apenas a um conhecimento que é transmitido e que cada um de nós toma e caminha por ele. Está se referindo acima de tudo à capacidade de cada um receber a repreensão.

Esta é a parte que muitos de nós não gostamos. Podemos receber ensinamento, podemos receber revelação, podemos receber capacitação, mas não gostamos de receber correção. Quando a Palavra nos diz que o temor de Deus é ensinável, temos que entender que é correção: a capacidade de aceitar correção, a capacidade de não rejeitá-la, a capacidade de não nos ressentir, a capacidade de não nos incomodar com a instrução ou correção que nos está sendo dada. Nessa medida é que o temor de Deus é ensinável.

Segundo Ponto: A Consciência de Deus

O temor de Deus depende da consciência que cada um de nós tem acerca de Deus. Quero ampliar isso porque não se trata de uma consciência religiosa.

Muitas pessoas dizem: «Sim, eu creio que há um Deus, eu sei que há um ser superior. Tem que haver, porque como é possível que todas essas coisas não puderam ter surgido do nada?» Mas isso é uma consciência religiosa, até mesmo uma consciência filosófica ou lógica, porque a pessoa diz: «Teve que haver alguém que começou tudo isso. Teve que haver um princípio, então esse princípio é o Criador, é o ser superior». É assim que muitas pessoas chamam e portanto dizem: «Sim, eu creio em Deus».

Quando falamos de ter consciência de Deus, não estamos falando de uma consciência filosófica, religiosa ou lógica. Estamos nos referindo à consciência espiritual de entender que Deus está presente em nosso meio. Deus não está longe no universo, Ele não está fora deste universo apenas observando o que estamos fazendo. Deus é imanente, isto é, Deus está interagindo com os homens e com as mulheres.

Tenho que lhe dizer algo mais: ter consciência de Deus é entender que Deus caminha conosco a todos os lugares onde quer que estejamos. Ter a consciência de que Deus sente o que sentimos e que Deus vê os pensamentos que temos. A esse nível estou me referindo ao falar de ter consciência de Deus.

Por quê? Porque você encontra nos relatos de Jesus que Ele chorou. Deus chorou, sim. Por quê? Porque sente o que o homem sente, entende o que o homem está passando. Ele não se alegra com a maldade que se desenvolve contra um justo. Ele está vendo e sente o que está acontecendo.

Essa consciência de Deus, de um Deus presente, de um Deus ativo, de um Deus interativo, é o que nos ajuda a poder entender e desenvolver o temor de Deus.

Três Fundamentos para Desenvolver o Temor de Deus

Este é um tema que, certamente, muitas pessoas estão ouvindo pela primeira vez, porque não é ensinado, porque não é pregado. Sim, é mencionado, sim, há conhecimento dele, mas a definição que temos é uma definição vaga que não nos ajudou realmente a desenvolver o temor de Deus.

Vamos estabelecer três fundamentos essenciais.

Primeiro Fundamento: Entender que Deus Dá e Tira a Vida

Em Atos dos Apóstolos 9:3-6, lemos este relato bem conhecido:

«E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer».

Enfatizo: «ele, tremendo e atônito».

A vida vem de Deus. Deus é o único que pode dar a vida. Deus a dá, mas Deus também a tira.

O Primeiro Ensinamento no Éden

Este foi precisamente o primeiro ensinamento que Adão e Eva receberam no Jardim do Éden. Deus havia dito a Adão e eventualmente a Eva: «No dia em que dela comeres, certamente morrerás». Em hebraico, na língua original, se fôssemos traduzir literalmente, diz «morrendo morrerás», estabelecendo nessa expressão que ele morreria sem falta. Não havia opção: assim que comesse o bocado morreria.

Mas o que aconteceu? Eles não morreram. Adão e Eva então entenderam que esse ato de morrer, embora não tivessem experimentado essa experiência, entendiam perfeitamente ao que Deus estava se referindo. Eles acreditaram que a ativação dessa palavra ocorreria quando vissem a Deus. Por isso agora podemos entender por que se esconderam, porque disseram: «Tivemos medo». Medo de quê? Por quê? «Porque eu sei o que Tu disseste e agora, como não morremos quando comemos, quer dizer que morreremos quando Te virmos?» Mas também não morreram.

O primeiro ensinamento que Deus estabeleceu para Adão e Eva foi: a vida vem de Deus, Deus a dá e Deus a tira.

Um Conhecimento Revelado Necessário

Este é um conhecimento revelado que muitos homens e mulheres não têm hoje em dia. Desenvolveu-se a ideia de que é a ciência que tem governo, domínio e exercício sobre a vida, e isso atenta contra a revelação de Deus. Por quê? Porque deslocamos Deus de nossas vidas. Pusemos Deus de lado de nossas vidas e integramos um conhecimento médico, conhecimento químico, conhecimento medicinal. Pensamos: «Realmente, o que me mantém vivo são os medicamentos, os tratamentos, a intervenção do médico, do especialista ou do subespecialista». Isso atenta contra o que a Palavra do Senhor ensina.

Ter consciência de Deus, de que Deus está presente, mas acima de tudo entender que a vida vem de Deus, Deus a dá, Deus a tira, Deus determina sobre o homem, Deus determina sobre a mulher. Portanto, não podemos andar em arrogância, acreditando que Deus até certo ponto se torna como um auxiliador nos momentos de crise que estamos vivendo.

A Experiência de Paulo e Jó

Por que usei o texto de Atos 9? Porque no versículo 6 diz: «Ele, tremendo e atônito, disse: Quem és, Senhor?» Ele nunca havia tido essa experiência. Esta é a mesma experiência de Jó: «Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi falar de Ti». Sim, ele sabia, sim, tinha conhecimento, sim, tinha atividade em função de Ti, mas nunca havia tido esse conhecimento revelador.

Paulo, como Jó, confronta uma situação: a vida não pertence ao homem. Embora sejamos os protagonistas desta atividade, a vida não me pertence. Posso estar saudável e Deus tirar minha vida. A vida ou a morte não vem pelo fato de uma pessoa estar doente ou entrar em crise física. É Deus quem determina sobre a vida e sobre a morte.

Isso é fundamental para entendermos, porque o temor de Deus não pode ser desenvolvido se estivermos vendo Deus como um espectador ou como um auxiliador nas diferentes crises que os homens e mulheres enfrentam na vida. Tenho que entender que se estou de pé é porque agradou a Deus. Se estou vivo é porque agradou a Deus, mas tenho que entender que Deus também fere e Deus castiga.

Testemunho Bíblico

O profeta Jeremias escreveu em Lamentações: «As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são cada manhã». E em outra parte dos profetas encontramos: «Deus fere, mas ao terceiro dia nos dará vida».

Em Deuteronômio 32:39, as palavras que o Espírito de Deus pôs na boca de Moisés dizem: «Vede agora que Eu, Eu O sou, e mais nenhum deus há além de Mim; Eu mato, e Eu faço viver; Eu firo, e Eu saro, e ninguém há que escape da Minha mão».

O evangelho que infelizmente tem sido pregado em nossos tempos contemporâneos não apresenta esta verdade espiritual. O evangelho contemporâneo nos apresenta um Deus que está apenas para ajudar, para abençoar, para livrar. Mas nos esquecemos de que Deus também castiga e que Deus também fere.

Ana, a mãe de Samuel, escreveu em 1 Samuel 2:6: «O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta».

Para poder desenvolver o temor de Deus, tenho que entender, e falo de entendimento, desenvolver o entendimento de que Deus está presente, que a vida pertence a Deus, que Deus a dá, mas que Deus também a tira. Sem esse conhecimento, sem essa revelação, não podemos desenvolver o temor de Deus.

Como vamos desenvolver respeito, temor de um Deus que sempre acreditamos estar lá apenas para nos abençoar, apenas para nos prosperar? Como o temor de Deus será desenvolvido sob essa ideia? Ninguém desenvolve respeito por Deus, e a experiência de muitos anos nos mostrou isso.

Por que há quedas? Por que há situações que estão se repetindo o tempo todo? Porque não há temor de Deus. Devemos voltar à Palavra e estabelecer o fundamento da Palavra para que possamos crescer espiritualmente conforme o que Deus determinou.

Segundo Fundamento: O Respeito pela Vida e pela Pessoa

Vou ao livro de Êxodo, capítulo 1, versículos 15-17:

«E o rei do Egito falou às parteiras das hebréias, das quais o nome de uma era Sifrá, e o nome da outra Puá, e disse: Quando ajudardes no parto as hebréias, e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas se for filha, então viva. Mas as parteiras temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes dissera, antes conservaram os meninos com vida».

Enfatizo: as parteiras temeram a Deus.

Elas não obedeceram ao que Faraó lhes disse. Não obedecer ao que Faraó havia estabelecido significava a morte para elas. Mas o texto diz: «As parteiras temeram a Deus».

É importante entender que as parteiras não eram hebréias. Eram egípcias, porque como o rei do Egito poderia dar instruções àquelas que não fossem egípcias? Precisamente por essa razão ele está dando a instrução. Eram egípcias, mas o texto diz: «As parteiras temeram a Deus».

O temor de Deus se desenvolve no exercício do respeito pela vida e pela pessoa.

Eram recém-nascidos, não haviam crescido, não eram crianças, mas preservaram suas vidas. Por quê? Porque exerceram o respeito pela vida e pela pessoa.

A Perda do Respeito

Você percebeu como hoje em dia esse respeito desapareceu completamente, e precisamente por isso é que mesmo homens e mulheres que pertencem a congregações não conseguiram desenvolver o temor de Deus, porque não há respeito.

Por que o respeito pela vida e pela pessoa é importante? Porque em Gênesis 1:26, Deus disse: «Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança». Mesmo que seja uma pessoa que não esteja andando conforme a vontade de Deus, pela criação mantém uma imagem e semelhança de Deus. O respeito pela imagem e semelhança de Deus é o que nos permite desenvolver o temor de Deus.

Instruções Bíblicas sobre o Respeito

Levítico 19:14 diz: «Não amaldiçoarás ao surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor».

Não amaldiçoes o surdo. Por quê? Não zombes do surdo pelo simples fato de que ele não pode ouvir. Aqui há uma atitude de zombaria porque como não estão ouvindo, muitas vezes são proferidas palavras de maldição. Isso mesmo se aplica às pessoas que pertencem a outras regiões que falam outras línguas. Fala-se com elas com gestos de aparente apreciação, mas as palavras que estão sendo declaradas a elas são palavras obscenas.

Não zombes, não amaldiçoes o surdo. Também diz: «Diante do cego não ponhas tropeço». Não zombes daqueles que têm deficiências, não zombes daqueles que não podem perceber as coisas que estão acontecendo. Isso é uma falta de respeito pela vida e pela pessoa.

Em Levítico 19:32: «Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião; e terás temor do teu Deus. Eu sou o Senhor». Do que está falando? Precisamente do que estamos estabelecendo: respeito pela vida, respeito pela pessoa.

Em Tiago 2:2-4 lemos:

«Porque, se entrar na vossa assembleia algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje, e atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado, porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?»

Por que maus pensamentos? Porque não há temor de Deus, porque não há respeito pela vida nem respeito pela pessoa.

Em Romanos 14:4 diz: «Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar».

Os Cinco Mandamentos

Esses textos, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, estão nos ensinando e estabelecendo este princípio fundamental para poder desenvolver o temor de Deus: respeito pela vida, respeito pela pessoa.

Se um homem, se uma mulher, se um jovem ou uma jovem não conseguiu exercer o respeito pela vida e pela pessoa, não pode desenvolver o temor de Deus. Por essa razão encontramos que dentro dos Dez Mandamentos, cinco mandamentos são dirigidos particularmente ao respeito pela vida e pela pessoa.

Em Deuteronômio 5:16-21 lemos os cinco mandamentos restantes:

«Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que te vá bem na terra que o Senhor teu Deus te dá. Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo».

Dez mandamentos. Os últimos cinco estão nos falando e enfatizando precisamente este segundo fundamento para poder desenvolver o temor de Deus: o exercício do respeito pela vida e pela pessoa.

De nada nos serve entendê-lo se não estivermos dispostos a executá-lo. O desenvolvimento do temor de Deus se fundamenta no exercício do respeito pela vida e pela pessoa. Não é o entendimento, não é o conhecimento, não é simplesmente a admissão. É o exercício que cada um de nós desenvolve a respeito da vida e da pessoa.

Terceiro Fundamento: A Decisão de Abominar o que Deus Abomina

Em 2 Coríntios 6:14-18 lemos:

«Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso».

O temor de Deus se desenvolve a partir da decisão de ver como abomináveis todas aquelas ações que são abomináveis para Deus.

Não estou falando de conhecimento, não estou falando de entendimento. A Palavra do Senhor é muito clara: trata-se de uma decisão. O temor de Deus se desenvolve a partir da decisão de ver como abomináveis aquelas coisas que Deus abomina.

Não Podemos Conciliar com o Mundo

Eu não posso chamar de bom o que Deus chamou de mau. Eu não posso chamar de permissível o que Deus proscreveu. Eu não posso chamar de santo o que Deus determinou que é profano.

O maior problema que nós homens e mulheres do tempo atual temos é que tentamos conciliar todas as coisas com o mundo. Tentamos nos aproximar do mundo, mas não para denunciá-lo, mas sim para compartilhar com ele sob a ideia: «Desta forma eu os atraio para o Senhor», fundamentados na expressão do apóstolo Paulo: «Fiz-me como judeu para os judeus e como gentio para os gentios». Palavras que foram mal interpretadas, porque em momento algum Deus nos chamou para nos aproximar do mundo.

Em Gênesis 3, Eva declarou à serpente perfeitamente o que Deus havia estabelecido. Há aqueles que dizem: «Isso foi uma invenção de Eva quando Eva disse ‘nem tocareis nele'». Mas Eva se lembrava perfeitamente do que Deus havia lhe dito. Não nos é lícito nos aproximar do mundo.

Em momento algum Deus nos disse que deveríamos nos aproximar do mundo para dar testemunho ao mundo. A luz é vista de longe. Não precisamos nos aproximar das trevas.

Temos tentado conciliar. Quantas vezes ouvimos? «Não precisa ser tão religioso», «há mais amor e menos religião». Frases filosóficas, frases mundanas que não estão fundamentadas na Palavra do Senhor.

«Saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor. Não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei». A Palavra é clara: Deus não nos chamou para compartilhar, para conciliar com o mundo.

O Problema da Indecisão

O maior problema que todos temos é que não queremos tomar a decisão de sair do mundo. Não queremos tomar a decisão.

Muitas pessoas vêm a mim quase todos os dias com este mesmo argumento: «Acabo fazendo as coisas que não quero. Eu tenho o desejo, tenho a boa intenção, tenho a motivação para fazê-lo, mas acabo fazendo as coisas que não quero».

Enquanto você não decidir, enquanto você não decidir que isso é abominável porque Deus abomina, você nunca poderá fazer o que Deus está exigindo de você.

O maior problema dos homens e das mulheres de hoje é que não tomaram decisões. Estão caminhando em ambiguidade. Tenho que lembrar neste ponto a mensagem ao mensageiro da Igreja de Éfeso: «Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor».

Temos que entender: é necessário tomar decisões. Deus está nos chamando a decisões. Não adie mais. É necessário tomar a decisão: «Eu e a minha casa serviremos ao Senhor», foi declarado por Josué muitos anos atrás.

O que Estamos Compartilhando?

Você não pode desenvolver o temor de Deus se ainda está compartilhando com o mundo. O que podemos estar compartilhando? Podemos estar compartilhando música, melodia, filosofia, imagens, ditados, expressões.

Se Deus chamou algo de mau e perverso, eu, para poder desenvolver o temor de Deus, também tenho que chamar de mau e perverso o que Deus chamou como tal. Eu não sou maior que Deus. Mas se eu chamo as coisas que Deus chamou de más e perversas, eu as chamo de boas e permissíveis, estou me levantando e estou agindo no espírito do anticristo, sentando-me no lugar de Deus.

Por isso Jesus disse: «Nos últimos dias virão muitos anticristos». Ele não estava se referindo apenas àqueles que iriam pregar ou ser populares. Estava se referindo a muitos homens e mulheres, muitos jovens que no secreto de seu ambiente ou na impopularidade de suas vidas estariam agindo, chamando de permissível aquilo que Deus proscreveu.

O Chamado Decisivo

O chamado de Deus é decisivo para os nossos dias: «Saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor. Não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei. E Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso».

Quantos ministérios não conseguiram decolar? Quantos ministérios não conseguiram se desenvolver? Quantos homens, quantas mulheres com chamado, com ministério, com confirmação de que Deus os chamou, não conseguiram emergir precisamente porque não foram capazes de desenvolver o temor de Deus?

Tenho que lhe dizer: você não conseguirá fazê-lo. Não importa se você foi a um seminário, porque o conhecimento teológico não o constituirá como servo de Deus se você não desenvolver o temor de Deus. Mesmo quando tiver diplomas de doutorado, você receberá a palavra de Mateus 7:21-23: «Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade, nunca vos conheci».

Não importa se você vai a um seminário teológico, não importam os graus de doutorado que você possa querer desenvolver. O temor de Deus não depende disso.

Conclusão: Os Limites de Deus

O temor de Deus depende da consciência que temos de que Deus dá a vida e tira a vida, de entender que não vamos ficar nos escondendo de Deus o tempo todo. Deus tem limites sobre a face da Terra.

Não nos encontremos um dia em que o limite chegou ao seu fim em nossas vidas, e no melhor de nossa experiência ou no maior de nossas vidas, Deus poderia cortá-la porque não fomos agradáveis a Ele.

O ensinamento de Belsazar, o filho de Nabucodonosor, quando a mão aparece para ele e escreve «Mene, mene, tequel, ufarsim», nos ensina: Deus estabelece limites. Não nos encontremos chegando ao limite de nossas vidas e de nosso ministério, sem oportunidade de nos vindicar. Por quê? Porque não agimos com o conhecimento do temor de Deus.

A Palavra diz: «Deus não terá por inocente aquele que tomar o Seu nome em vão».

Os Três Fundamentos Revisados

O temor de Deus se fundamenta e se desenvolve em:

  1. O entendimento de que Deus dá a vida e Deus tira a vida.
  2. O exercício do respeito pela vida e pela pessoa. Não façamos acepção de pessoas porque estamos nos distanciando do temor de Deus. Não tornemos vã a vida de uma pessoa. E pior ainda, não vamos difamá-la, o que seria equivalente a tirar a vida de uma pessoa porque não compartilhava nossos pontos de vista.
  3. A decisão de chamar abomináveis as coisas que Deus abomina.

Quando construímos sobre este fundamento, então, e somente então, podemos desenvolver o temor de Deus.

Responsabilidade Pessoal

Agora não há desculpas para nenhum de nós. «Que é que o Senhor teu Deus pede de ti? Que temas ao Senhor teu Deus, que O ames, que andes em todos os Seus caminhos e que O sirvas com todo o teu coração e com todas as tuas forças» (Deuteronômio 10:12).

O trabalho agora pertence a cada um de nós. É uma responsabilidade pessoal e individual. Não podemos transferi-la nem podemos ir a um ministro para que ore por mim. É a decisão que nos corresponde fazer.

O que vamos fazer?

Senhor, dou-Te graças por Tua Palavra. A paz do Senhor seja contigo. Amém.

Pastor Pedro Montoya


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Soy pastor y maestro de la Palabra. Vivimos en tiempos en que la gente se muestra reacia hacia el Evangelio; para muchos, los temas de fe y del Espíritu resultan intrascendentes y los descartan sin más. El mensaje del Evangelio es una invitación a volver a Dios, a confiar en su Palabra y a caminar bajo la guía de su Santo Espíritu. El Evangelio no es una religión; no entramos en el plano de la Voluntad de Dios simplemente practicando ritos creados bajo el consentimiento humano. Es fundamental entender que las reglas las establece Él, no nosotros. Somos conscientes de que Cristo Jesús viene pronto, pero no todos estamos preparados para recibirlo. Debemos recordar que no se trata solamente de estar en el lugar correcto, sino de estar apropiadamente vestidos para su Venida. Él viene por una iglesia sin mancha ni arruga (Efesios 5:27). Las manchas y las arrugas, si no se corrigen a tiempo, podrían impedirnos ser parte de este evento glorioso. Por ello, reconocemos que el tiempo restante antes de su Venida es un período de preparación, que incluye tanto corrección como capacitación.

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